sexta-feira, 8 de julho de 2011

dedos que passam a mão pelo pensamento



«Na sombra do meu sangue escrevo-vos do meu mundo, escrevo para todos aqueles que entendem que um poeta vive com o rosto no meio de letras e que elas selam um planeta que me dissolve que se dissolve sempre a cada frase escrita por mim.

Anoitece entre o meu tremor e a minha treva. O mundo lá fora corre trespassado pelo láudano. Em vóltios e vóltios... No meu mundo o sangue aproxima-se escarpado. Os dedos prepraram mais uma aurora e os Astros lutam , dentro, em mim, numa guerra de elementos, transformando a imagem trabalhada em palavras.

No chão da página escuto os rios que correm repletos de frases cheias, gritando, gemendo montanhas em falos gritos. Também Eu às coisas mentais grito;

- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhh!...

Na pele a encarnação, o amargo sal que o Astro na carne deixa fugir quando faço morosamente comida dum poema, uma visão ou um lugar para os outros, para os sonhadores, para todos os que procuram a assumpção, as palavras, em lugares compactos no entusiasmo do branco que se pinta às vezes de preto e de repente ficam ofuscantes, as palavras, as colinas das palavras. Em aceleração.

Existem em mim dias dificeis, onde planto a carne dificil na esperança de colher sentires dentre, o delírio que a noite pulsa, a vírgula ardente das mãos que escrevem e me empurram de palavra em palavra, unindo-me À poesia, esse núcleo surpreendido que os dedos quase amornam, no poder que deles advém. É Então que o verbo me acende a vida. Acendendo os dedos numa selvagem criação. Ergue-se fogo vermelho na transparência profunda da gramática atormentada pelas visões ferozes, pelo escaldar da minha caligrafia, desvastando campos e laguras brancas, afogando páginas em loucura. Textos coagulados, impressos no meu pensar, num pensamento perfurado pela febre que me costura ao ar , tal e qual como uma droga, da qual eu sinto que sou totalmente dependente...»



* a mim própria, lirícamente!...



Luisa Demétrio Raposo

3 comentários:

São Rosas disse...

E se os teus dedos passassem também pel'a funda São?

;O)

Luisa Raposo disse...

São... minha querida... já passei os dedos pela funda

;O)

São Rosas disse...

E que bem que sabe... hmmm...

;O)