quarta-feira, 10 de outubro de 2012

lepitopteras_________________I



Quem que disse que a mulher não tem loucura masculina?”

“ (eus lábios roucos murmuram. tu sorvendo)
Eu consumindo lentamente os inspirados cresceres da língua sôfrega, essa cobra de água salgada, completamente bêbeda que aperto no estalar estreito, na vulva , em gula, inocente na enevoada em chama, as virilhas, essas grandes palavras em chamas.
ORGIAS. Existem tantas a erguer-se cá dentro, em ritmo no cobre subtil das tuas mãos intermináveis. nos desejos que mergulham juntos com as curtas falanges.
Sou (a)naconda. tu minha lídima escoada que empolgantemente lavras a incandescente nata.
Luas mãos rasgam, nádegas e o jugular absoluto. Arrebatando as auréolas dos mamilos atadas sobre, e por nós entumecidas. Húmidas. te abrasam abrasando em requeimadas que chegam aos silos vaginais, enchendo nossos cântaros de boleias, reluzindo entre riscas assimetricamente intensas.

(Sussurrando
apanha-me) apanha-a apanho-te a punho o ar apanho apanhando-te, ocupando o lodo e a loba mira entre as sedas escarlates de um lado ao outro lado o lado que côa e se entorna melífera, quente, nas auréolas bebendo o inchaço trazidos dos ventres.
A garganta se instala; o instante se torna intensamente rápido. Gira assanhando os guaches encarnados girando gira girando gira em circunlóquios e lambendo na escorrentia um percurso saturado lambendo lambo cirando entre os gemidos enclavinhados.

(Emudece
lenta mente) por dentro na minúcia de um minuet. a boca, tua, é a minha península erótica, a salina que dentro, braseia.
Eu, a nua biografia atlântica, o pomar mestiço coberto de polens e polvilhada de ígneos enxofres

(sorvos ilegíveis)

Os seios, ninhos, conspiram, no meio de nós duas, um toque que ascende e desabotoa o labirinto em saias. Desarrumando completamente a sombra urgente que nos consome e une hipnoticamente. Inscrevendo em nós o som das labaredas em expedição pelos corpos suados, tragando os sexos em carnívoras faúlhas.

(o êxtase)

“sobre a intensa loucura dois pénis se constroem entre a eternidade profunda do fogo, num fechar de olhos, na pele arde, em ritmos que esmagam o esgotar, aniquilando tudo e todos os falos são imensos e nos pertencem, grandes, enquanto cegos


quem diz que a mulher não tem loucura masculina?”



Luisa Demétrio Raposo/2012

1 comentário:

Ambrósio Chevalier disse...

... gosto desta escrita forte de elementos eróticos preenchida e prenhe de símbolos que de si mesmo irreais se tornam, lancinantemente,
reais...