quinta-feira, 29 de novembro de 2012

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O  mundo é o meu instante imenso, a ponte, o grande céu, as genitais em escarpas… o abismo, que nas manhãs respondidas se incrusta nos meus orgãos doces__________ repousando,  logo ali, o terrível sangue, deslumbrante,  húmido, oculto, denso, afiando  toda a minha carne em solidão e montes, radiando soberbo  as madeiras e o deitado ferro, perfurando-me as internas noites que  oiço gritar, aqui, dentro.  No progredir do ar coagulado, acetilene. Entre linhas arquejantes de dentro de um pavor que me consome e me veste em laçadas, os dias e a dilatação de um destino ao qual estremeço.

luisa demetrio raposo
in cassiopeia e o jardim separado

1 comentário:

Jorge Oliveira disse...

Coisas da alma e do corpo... coisas boas... Bjo