domingo, 10 de abril de 2016

pássaros de ferro

A inocência está toda no sexo, o sol, a estrela caída que ilumina a realidade em cruéis deslaces, na grácil que a poesia simples descanta. A vulva, acre e austera, apenas uma janela com vista ao pôr-do-sol. Nuvens a horizonte. O sexo, um trovão. O nome, não se diz. Entre as duas, longas ancas, cuja boca se dilui nas labaredas do longo vestido encarnado, em apertadas margaridas.

Luísa Demétrio Raposo
in pássaros de ferro


6 comentários:

Eros disse...

Absolutamente inspirador!
Arrebatador rubor!

Luisa Demétrio Raposo disse...

... são memórias Eros...

grata pela tua leitura!

madagascar2013 disse...

respirei e quedei-me em "...o nome, não se diz...". Não corramos o risco de rasgar a essência...da inocência.
Obrigado por deixares expirar o que aqui se sente...

PEQUENOS DELITOS RENOVADOS disse...

Perfeito. Intenso. Perturbadoramente Intenso.
És mulher de poucas palavras. Gratas e grandes memórias.
Gostei (muito!)!

Luisa Demétrio Raposo disse...

madagascar,

...o nome, não se diz... O sangue irrequieto continua impermeável por detrás da porta.


grata pela tua leitura

ldr

Luisa Demétrio Raposo disse...

Pequenos Delitos Renovados,

a largura de um texto é equiparável à largura do sexo, perturbadoramente imenso, perturbadoramente imenso.

abraço

ldr