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quarta-feira, 18 de março de 2015


O dia a cada instante, um labirinto e o volume disto ocupa-me as horas; são os ácidos passos que a incandescente vulva vomita junto ao sítio, em escrita (diz-me o interno)

Ao fundo da página, Eu, vulcão escrevo sob o olhar que o ritmo admite no cadafalso. Arde o largo grosso da prosa. Do inferno o meu mundo não é outro: o branco em fúria estrado a içar. E quanto mais escrevo mais profunda é a minha semelhança. E o lume pela guarda alastra. Imagino tantas vezes poder deixar a carne e alimentar-me somente nas palavras enquanto larvas, riscar o sangue bravio e a meio coração inteiramente a desaguar, mãos e fogo.


Luísa Demétrio Raposo



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

“Vaselina
o subsolo ir-se-ia na instantaneidade o rachar ao olho e devasta por onde oscila o imbuído súbito entre o cuspir de devires à confluência breve do ejacular narrativo alimentando o prolongamento em regato perifericamente orgânico ergue-se da sede mortalha nexo ao fogo povoando-me de terramotos
sol a erecção o buraco assimétrico do corpo atrás da carne o dia entre o sangue flecha ânua estrangula ou degola os poros onde afloram os sentidos e a escuridão viva que perf
ura a fossa
pulmão.”



Luisa Demétrio Raposo
"A sombra por toda a vulva deserta, árida leitura que o sentir voluta, o fecho no sangue por inteiro a erecção, os grãos de areia arquipélagos que desordenam sós, o duro nómada em decerto, aberto."


Luísa Demétrio Raposo

domingo, 25 de janeiro de 2015

a orfandade


O sangue oculto, caliginoso da palavra que oralmente é escrita e é lambeada à sombra pelo ogro que me resgata ao coloquial. A bestialidade, silva a safra retém. O solferino sobrechega agora e eu, um abisso inferno, o momento em que o corpo morre e tudo explode.

E serei, aqui e para sempre, sem noite, sem dia, dia sem noite, e sem um fim, mas tão-somente o que ampla e habita-me.

 Imorredouro, tal como um início onde se vive milhares de vidas em uma, só. O averno que suplanta pressa e se torna o lugar vazio do poema do qual já se perdeu há muito o endereço.

Submergir nos temas escritos e das palavras que arvoam no papel que, ora morto ou vivo dita imparável a máquina que pensa e enclausura-me.

sábado, 17 de janeiro de 2015

do meu livro AMMAIA





A vulva é um escrito de entre um deserto violento, um orifício bárbaro, o contorno safra, a carne improvável que renasce leituras e que a boca desmata na imagem, incidindo sobre o sexo infindável e quente onde a palavra lateja e escreve sombras até encontrar circunstantes. Fode-se, bebe-se

de entre eruditos pentelhos que atracam as seivas co) abertas, no lamber absorto ao lume que orbita no orvalho a meio das coxas.


A boca é toda uma serpente que no sexo se arrastra ora depressa, ámen, orando carpia a carne erecta, masturbando-se na saliva e ascendendo o rastro das águas obducto de hóstias ou de sémen. Na conflagração prossegue com o texto, na micção a narrativa é fraga, um acanhonear laranja ao encontrão e do pretérito arvoa o gemido letalmente, deixando-nos a paz.

Luísa Demétrio Raposo

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Ala mada



"O tremeluz a humidade da rua sobre, acende a inocência do soalho. Embate na boca. Arde pia de entre o sexo meio aberto meio penetrável; a exasperação nua ao fascínio eclode; sobre a pele, levanta voo, um pássaro e vagueia-se pelo travo a língua. Marulhares, às nuvens devem perturbar. Ousar rejeiras a cal à aberta que conheço. A vulva a liquefacção onde todos os pássaros húmidos pousam a deliquescência a boca e o poema existe em simultâneo languescer. O sentir naufraga. O cais. A lentidão sobre a transumância: escreverei. Fora de ti. O corpo ave: o grande interior, um excesso que desliza, por vezes sangra e coincide com o cretone aterrado. a embriaguez  é um desvio inacessível, e penso em nada desaguar…"

Luísa Demétrio Raposo




* a foto é retirada da net, desconheço autor

sábado, 27 de dezembro de 2014

Ao fundo da calçada a rua estreita-se e dilata. O olhar cadafalso o ritmo admite. A foz silvada preenche as calças. A braguilha mão-dentro e o largo a erecção grossa da prosa masturbam violentamente. Entre a pausa o músculo o pénis interdito alastra. O sistema desarruma eriçando a curva e do inferno entorna-se a água de entre marginais uivos dos pentelhos em erecção que veneram e movem-se a fim de gladiar. Depois, a derrocada, a morte finita, e basta.
Indigente o animal que sai nu no olho incentivado pelo escuro a ofegar abundancia na palavra dita em voz baixa.



Luísa Demétrio Raposo
In AMMAIA

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A boca fermenta e deflagra vícios, curvilínea arde em milhões de instrumentos e mistura frases desembestadas entre as forcas da carne em apoteose.
Oral o coito a tempestade que o cio indecoroso semeia na erotização e eu a meio no risco violento do sangue em bosque a possuir mundo, ao transbordar o dar à crosta e pertencer por inteiro á viga garganta abaixo, à vulva onde nada principio entre os improvisos do sémen que sai e só e morto.
Luísa Demétrio Raposo


* in AMMAIA

Silo




 Infernal aparição odorífera a palavra que chega através do céu em liquefacção.
Duas bocas um triangulo pélvico manipula poemas por entre a rua mais deliquescente o lado indecifrável a carne aquando desordenada inunda infindavelmente a atmosfera onde o negro desértico molha da raiz à flor da gruta na velocidade curva do êxtase.

Luísa Demétrio Raposo

* in AMMAIA

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Crucifige


É a irrupção que dismetria a tribuna das batinas em iminência, lavrando interditos os dialectos rente ao exausto levantado que incha revolucionário sobre a risca o consentir execrado e que afunda-se no decurso violento em um regato que o pendura.
O urinar
Ímpio no sulco traiu mutilando o amplo sifilítico que anódina busca-o aumentando a sua pária em carne. O desalinho muscula a vermelho range engate e expande-se à estridência do sangue que enforca o gemer e ardina poça a despenha-se entre as pernas sob o fluido subterrâneo equivalente alquebrado sémen.

Luísa Demétrio Raposo

* do livro AMMAIA



* foto Frantisek Drtikol                                    

                       

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Entalhe rê


 Indeterminável labirinto e sangue pulsional fundem o itinerário cíclico, a fusão.
Apavorantes artérias as interrogações que o sal multiplica na simultânea indizível à meteorização do de leite desertam. À cratera mergulham intangíveis raízes à profundidade de um enigma. Hegemonia pixa alavanca ilha e coarctado espigão a nascente de babas que travessa a voz e todo o refluxo extrai.
O eclipse brecha mina o inominável interior à noite em debrum. Sonâmbulo cio o alimenta tanto como soe nome e todas as heracleias que florescem na abrevia dos matos. A flórula e todo um nicto ama.

Luísa Demétrio Raposo
* do livro Ammaia



* foto  Hans Bellmer

                                                    

                       

Sempiterno


  Anais em carvão, apara o incesto geográfico, destruir atmosfera. Da amofinação do corpo só vejo ravinas, o incensário. O escalpe da tinta gira no enxofre. A órbita grávida de universos, onda que destrói e me corta aos pedaços nas frases que empurram os eixos e no orifício escrevem cadafalsos impalpáveis entre os.
Na cabeça rajada a cima o sexo onde incorruptiveis as ferramentas salivam e há uma marinhagem na parte de trás.
A lavoura pubiana a ignição de todos
os centímetros que partem à boleia de excrementos entre os patamares, pontes que focam as fossas e estimulam a rouquidão dos lugares arquivos.
Sombra o hifene escreve a carlinga clareia-se em volta da folha de papel e eu bassula existo em cada frase na queima abrupta a vulnera idade de cada palavra que se inscreve e abriga aos poucos uma grande rotunda.



Luisa Demétrio Raposo

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014


Todos os meus sonhos são filhos de sombras num preto frontispício e quanto mais a combustão me empurra mais se escorcha o preto em todos os lascados caudais.

O reflexo de cor transmuda de uma engenharia que o cérebro acrisola, a sedimentação é tudo o que se alcança.    

Luísa Demétrio Raposo
Ao fundo do eclodir existe a geografia encostada à página inteira, na profundidade da escrita em que principia a violação frenética da circularidade descontínua que sou, a desvinculação sexual do fogo volátil, uma marinhagem invisível onde o cio se desmorona e onde as pulsações fervem e ceifam em cada som a silaba. Aberta num cais.


Luisa Demétrio Raposo

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Um coração é terrivelmente cru entre os nós da carne, pulsante e repulsando um abismo animal, o escuro revolucionário que incha sobre a risca do sangue execrado. Alcarsina, mão viúva que afunda o decurso violento em caligrafia e narra pela página um regato e o pendura e eu só mato.
 O ímpio atrai-me na revolta mutilando o uivo sifilítico que anódina busca-o aumentando o seu volume na carne.
Do ferrolho o vermelho range o engate e expande-se ao céu. A água força o gemer e ardina poça despenha-se entre as pernas sob o texto alquebrado.

Luísa Demétrio Raposo





sábado, 18 de outubro de 2014

A capa do meu novo livro VERMELHO al mojanda, que assinala o equinócio e a celebração do meu 41º aniversário.
É um alimento ofegante para amantes de literatura viva; pulsando...!

Faça a sua encomenda através de livrosdaredil@gmail.com

quinta-feira, 16 de outubro de 2014


É preciso lubrificar as aberturas onde se entala poesia sobre cercos minados e deixar vibrar qualquer tipo de brecha. Deixar as vaginas falar. Ânus, deixai-vos penetrar.

 O alcance é um cotovelo carregado de ossos que nos atulham os passos. É preciso transpor todos os potentes muros. Governai desorientação na obscuridade os verbos literários que não passam de cabeças. Desorbitar a escrita. É necessário sair da acomodação e deixar a Poesia fornicar até que a carne escreva a contradança de todas as orgias, o sangue geográfico que preenche o pénis entre as raízes húmidas de entre a vulva que amamenta a escrita.
Luisa Demétrio Raposo
foto Irving Penn,  Bottom

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Bestial a boca fermenta e deflagra vícios. Curvilínea arde em milhões de palavras furiosas e mistura as frases desembestadas entre as forcas da carne em apoteose. Oral o coito a tempestade que o cio indecoroso semeia. A erotização diz a respiração e eu ao meio do risco violento. O sangue em bosque a emergir. Possuir o mundo e transbordar ao dar vida à crosta e pertencer por inteiro aos vigamentos garganta abaixo. A vulva, negra, penitente precipício, nada entre os improvisos, o sémen cai e só é morto.


Luisa Demétrio Raposo
retirado do livro dos contos

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Ao fundo da calçada a rua estreita-se e dilata. O olhar cadafalso o ritmo admite. A braguilha mão-dentro e o largo a erecção grossa da prosa masturbam violentamente. Entre a pausa o músculo o pénis interdito alastra. O sistema desarruma eriçando a curva e do inferno entorna-se a água.

Luisa Demétrio Raposo
A vulva um poço violento onde nasce libidinosa a escrita e no contorno da carne distendida e escancarada a leitura que a boca desata na imagem, incindindo sobre o sexo infindável e quente onde a língua lateja e escreve sombras até encontrar circunstantes. Fode-se. Bebe-se de entre o lodo que atraca as seivas. Teias sempre abertas.
Ao lume lê-se baixinho, o sentir demorado nas orbitas as coxas. Extrair fogo é uma arte porque a ostra pressente sempre o sal e, somente ela despe ...
a língua que pouco a pouco aresta.
Todas as línguas possuem serpentes que no sexo se arrastram ora ligeiras oram suaves e tremem à carne erecta e masturbam a terra. O cuspo coberto de hóstias ou de sémen. Abandonei-me. O orgasmo caiu-me do ventre. A elanguescer.
Na fenda fica fogo, a minha afeição e o incêndio prossegue com o texto. O coração perde-se lá do alto no momento da micção. A narrativa atinge-o como um carrasco e na sua base desapareci. O bombear dá-se ao encontrão.
Aberta a porta e nos ruídos saem os gritos.
Eu, o ponto vazio. Lentamente.


Luísa Demétrio Raposo

retirado do livro de contos.

*foto Franz von Stuck, The Sin 1803