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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Incêndios


«Á beira de caminhos ingénuos, ateiam-se espaços, como girassóis, que nos ateiam á furia das nossas raizes, talvez invejosas de mim, porque em mim se encontram unidos poéticos incêncios.
Paixões osculam, devorantes, nas queimadas da vida onde a oculta seiva lateja, agil.
Onde a borboleta, num tesão, entusiasmado, geme volteando estonteamente as plantas, sofregas, que sorvem deslumbradas as poeiras ardentes e expansivas, atráz, em frente, á direita e a esquerda... da fina flor.Quente.
O vale é esteito e atraente, embora o desminta a nua realidade, lambuzada, pela amora,preta, minha, que sorve o silêncio esbraseado nu ambiente latejante. Abro-me toda a força da palavra incendiada, e do deslumbramento que me invade, nascem mil desvaneios, mil desejos...


[Nas minhas flores intímas, astros, a pairar constante existência perpétua, tu, a minha aventura, fogo no meu ver]

Na eriçada da memória, silvas, onde tão longe alcanso, o bafo que na relva queima , nu e frágil, que se quebra de repente, e á minha roda, existem cintilações e labaredas verdes.
A febre indecisa, que em coro por mim sobe, exitante, que se quebra no repante, como, numa queda a pique... e outra vez a subir... fluir... solene... majestosa... delicada e ao mesmo tempo ardilosamente tentadora. Calo-me. Cala-te. Cala-se tudo, tudo o que é convencional, ou falso, cala-se a nua natureza de comoção e assombro. A febre, é sempre a mesma. O apelo é o mesmo.
A minha vida é um incêndio.»

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dentro de uma zona aberta pensa uma mão embriagada...




Eis duas cadeiras que ardiam nos seus lugares, rindo alto, tecendo-se dentro da minha ideia desvairada...
«...A razão louca, leve, de cor púrpura, reluzindo como uma alucinação que embriaga. Num lugar que transborda. Calcina. A fulguração enlaça-se no orgão macio, o espamo faz-se rodar. Sôfrego na sua potência cega de feixe orbital...»

*foto retirada da net

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Coitadas



Coito;
Onde a sensualidade se escoa.
Coitada;
Arte viva da paixão. O ouro do Deus sexo.
Nome mudo, o coito, que faz tremer o mundo em ardentes anais ou de aroma, nas camas.




Coito ardor, abismo, onde se cruzam os órgãos. Se desenrola, rola, onde o fogo nunca derrama o leite.
És tu a alicinação na minha memória. O nosso epicentro. Quilha no sentir. Que viva e quente, nos penetra o ser. Nos come no vir. Potencia infernal, na orla do nosso prazer. A cada pancada nossa uma vertigem se retira do teu astro cheio. Almíscar. A argila táctil. E fica assim ateando a minha escrita só pelo silêncio nu cercada. Põe a mão na noite e fica, não porque o desejamos, mas porque Deus deu às partes sexuais deliríos e furos naturais. Húmidos. Orvalhados. Janelas de força onde circula o odor de leite. Janelas opulentas, onde o pau arde na flora, e onde a flora irrompe a haste desordenada. Num poema...
Poesia é isto, um coito entre palavras, que se devoram entre vozes, fôlegos e orifícios, superlativos uns aos outros e uns nos outros...