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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Novembro



Teu nome é negro, a chuva essa abre-te os dias, as horas comem-te na noite!
Traças linhas no esquecimento simplesmente porque nunca falas com ninguém.
Os matos estão agora incompletos, as folhas da melancolia que outrora já foram luz, astros.
Existira coisa mais forte que a loucura?
É somente o pensamento que se verga ás tuas noites frias, nasces da melancolia e arrebatas-me na tua forma severa e arguta, inteiramente se abre em ti um tempo, um sol simples, ou um renascer de coisas magnânimas e espíritas.
Novembro é segredo e só se aproximam de ti se for em murmurio, falo-te por mim que sinto que o desejo é uma fruta muito secreta...
O vento soão é o som onde começa o perpétuo Inverno.
Olho-te atravéz de palavras e tu cegamente abraçado ao abstrato onde as minhas pálpebras se afagam sob a tua intensa profusão celeste...
Olhas-me nas palavras completamente vivo no teu movimento entre laços. Batidas soam ao longe no silêncio onde os lânguidos amarelos se movem nas pequenas espadas dos raios.O sol de Novembro é um vivo coração de poema.
A fruta faísca, cheiram as castanhas...



*foto retirada da net

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Palavras são Mortalhas



Matei-me á sombra de um rochedo macilento,
Constelado espaço, à chuva e ao vento...
Enterrando-me nele com o meu tormento!
Só meu espirito ainda vive,
Num fixo inexorável pensamento...


Ao alto de uma charneca ouve-se;
A minha voz secular e aflitiva!
Meu vulto inulto que passa,
No grito da alma aqui cativa!...
Como se eu ainda fosse alguém,
Como se ainda fosse, luz de dia, vida !

Na inominada luta de ninguém!
Alma vasta que em fogo se embriaga!
Pudesse eu ainda arder no incêndio de alguém!...


* imagem retirada da net