quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Um coração é terrivelmente cru entre os nós da carne, pulsante e repulsando um abismo animal, o escuro revolucionário que incha sobre a risca do sangue execrado. Alcarsina, mão viúva que afunda o decurso violento em caligrafia e narra pela página um regato e o pendura e eu só mato.
 O ímpio atrai-me na revolta mutilando o uivo sifilítico que anódina busca-o aumentando o seu volume na carne.
Do ferrolho o vermelho range o engate e expande-se ao céu. A água força o gemer e ardina poça despenha-se entre as pernas sob o texto alquebrado.

Luísa Demétrio Raposo





sábado, 18 de outubro de 2014

A capa do meu novo livro VERMELHO al mojanda, que assinala o equinócio e a celebração do meu 41º aniversário.
É um alimento ofegante para amantes de literatura viva; pulsando...!

Faça a sua encomenda através de livrosdaredil@gmail.com

quinta-feira, 16 de outubro de 2014


É preciso lubrificar as aberturas onde se entala poesia sobre cercos minados e deixar vibrar qualquer tipo de brecha. Deixar as vaginas falar. Ânus, deixai-vos penetrar.

 O alcance é um cotovelo carregado de ossos que nos atulham os passos. É preciso transpor todos os potentes muros. Governai desorientação na obscuridade os verbos literários que não passam de cabeças. Desorbitar a escrita. É necessário sair da acomodação e deixar a Poesia fornicar até que a carne escreva a contradança de todas as orgias, o sangue geográfico que preenche o pénis entre as raízes húmidas de entre a vulva que amamenta a escrita.
Luisa Demétrio Raposo
foto Irving Penn,  Bottom

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Bestial a boca fermenta e deflagra vícios. Curvilínea arde em milhões de palavras furiosas e mistura as frases desembestadas entre as forcas da carne em apoteose. Oral o coito a tempestade que o cio indecoroso semeia. A erotização diz a respiração e eu ao meio do risco violento. O sangue em bosque a emergir. Possuir o mundo e transbordar ao dar vida à crosta e pertencer por inteiro aos vigamentos garganta abaixo. A vulva, negra, penitente precipício, nada entre os improvisos, o sémen cai e só é morto.


Luisa Demétrio Raposo
retirado do livro dos contos

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Ao fundo da calçada a rua estreita-se e dilata. O olhar cadafalso o ritmo admite. A braguilha mão-dentro e o largo a erecção grossa da prosa masturbam violentamente. Entre a pausa o músculo o pénis interdito alastra. O sistema desarruma eriçando a curva e do inferno entorna-se a água.

Luisa Demétrio Raposo
A vulva um poço violento onde nasce libidinosa a escrita e no contorno da carne distendida e escancarada a leitura que a boca desata na imagem, incindindo sobre o sexo infindável e quente onde a língua lateja e escreve sombras até encontrar circunstantes. Fode-se. Bebe-se de entre o lodo que atraca as seivas. Teias sempre abertas.
Ao lume lê-se baixinho, o sentir demorado nas orbitas as coxas. Extrair fogo é uma arte porque a ostra pressente sempre o sal e, somente ela despe ...
a língua que pouco a pouco aresta.
Todas as línguas possuem serpentes que no sexo se arrastram ora ligeiras oram suaves e tremem à carne erecta e masturbam a terra. O cuspo coberto de hóstias ou de sémen. Abandonei-me. O orgasmo caiu-me do ventre. A elanguescer.
Na fenda fica fogo, a minha afeição e o incêndio prossegue com o texto. O coração perde-se lá do alto no momento da micção. A narrativa atinge-o como um carrasco e na sua base desapareci. O bombear dá-se ao encontrão.
Aberta a porta e nos ruídos saem os gritos.
Eu, o ponto vazio. Lentamente.


Luísa Demétrio Raposo

retirado do livro de contos.

*foto Franz von Stuck, The Sin 1803

segunda-feira, 29 de setembro de 2014


 incêndio a intempérie a violência que transforma em margens o cemitério que me habita e onde somente o eu-deserto ressuscita. o grito a língua contínua mata quebra e extermina. a tempestade ascende ignóbil na demência o ser o ter e o sido embrulham-se-me. afloração monstruosa vem dum raio fundamente. Sol a violação o sangue em composição longa e larga na decifração e faz a carne obesidade grossa de um defecar inominável. ergue e estanca o só finito.
Luísa Demétrio Raposo

terça-feira, 23 de setembro de 2014




a geometria do meu reflexo devorando o negro que a mão escreve. vivo. mas não sei escrever. reflexo de calor húmido. o rasgar na lama abominavelmente bebe. crescente a maré solta penetra todos os lugares em gritaria.

Luisa Demétrio Raposo
 a sentir-me incompleta.

domingo, 14 de setembro de 2014

"mais ousadia e menos consciência. a consciência é a gaiola que nos aprisiona os sentidos e condiciona o acto de criar algo, e quem não ousa habita uma frustração ilimitada."

Luísa Demétrio Raposo

domingo, 7 de setembro de 2014

a tinta


ao fundo do coração uma rua invulgar prosa o escuro e o que sou bombardeia violentamente a escuridão repleta.
queima o lume a boca que na escrita rasga come furtivamente une e destila a palavra obscena. poesia. quando penetro a carne e cuja saída não passa de uma exaltação igual à minha.
na cabeça funda a obscenidade, escrever ora e sem o saber continuar a gozar de mão segura.
 
 
Luísa Demétrio Raposo


*Human heart by Arnold Hohmann

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

o corpo cadáver é o que me separa de tudo no mundo. é o circuito fechado do perverso que me separa nos outros, sempre, sempre. a perspectiva enforca e no barulho não há nada pior que ter que ser antes de escrever. o suor delineado do sangue a escorrer, ilustre. é a morte de todos os esforços e de todas as gritarias nos lugares onde a minha calma cedeu e partilhou dela. a aflição que sempre acabava por me descontrolar os lábios, exibia-se muito e por isso pus-lhe uma mordaça. delirava puerilmente deixando-me arrastar pelo pavor de todos os horrores que estão vivos e são de origem orgânica e humana que dilaceram e se apossam nos delírios causando maleitas e outros tantos estados febris. ainda a convenção intolerável feita de contas e números.
caí no abandono das faculdades mentais, já não temo a morte neste momento e nem vou falar de infelicidade quando me precede o vício em escrever palavras, erectas, ausentes e sem universo entre o papel e a tinta atenta que chama a atenção obscena. o deboche inverso descreve. não temo a hostilidade do lume nem ferir-me no fogo e na cabeça que um dia já foi minha, entrei. a exaltação igual a mim, reflexo de um inferno infindável e eu à altura do que tanto me oprimia. escolhi arder, escrever, a ter que voltar ao mundo enorme. (...)



Luisa Demétrio Raposo
* retirado do livro dos contos

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

escrever as coisas bonitas é um atentado. orar desinteressa-me. iminências, quero a língua toda aberta e ver os mil homens que nela imprensam as conveniências. vómitos.
o após vomitar;
existem fomes maiores num caralho e que o organismo alheio consome. foder o fel manso; a fórmula mais básica. a compulsão cria em si o acto. transcende. ritmo não é conveniência, está muita além. há a energia que sai nas ginetas para os genitais. fora disso é o maior crime. ...
a ordem interna; narração. carne é a única linguagem que rompe. o que a boca fala é um som violento que alastra, a armadilha selvagem das cordas vocais.
há vaginas não que passam de bexigas, só mijam. invejosas; abre indo-vos à largura, comei tudo comeis todos que eu sou totalmente de acordo com a copulação. não fodam é a cabeça aos outros. tu aí entre os comuns, que tocas os teus olhos nos vitrais do que escrevo, não percais tempo, ide antes ao talho e unis a boca à carne. enche-te e preenche-te. alimenta, a masturbação sempre pôs tudo a luzir. despenha-te antes da dissolução, o sal entre as águas potência afectos. urinai, urinai.


Nota: falar antes de defecar pode ser considerado perversão.

Luísa Demétrio Raposo
o extremo é um excremento em libertação, orquestra e desforra-se num peido em sacrário que eu ofereço às libertações barrigudas que menagem o incomensurável sem cu que em combustão arde, arde, e não.

Luisa Demétrio Raposo
o exterior é todos os sítios e visito-me;
agridem-me os pesadelos que dentro nos outros embarcam ausentes do aqui e para o que às imagens descrevo inadequadas são à realidade em que creio.


Luísa Demétrio Raposo
ao fundo do coração uma rua invulgar prosa o escuro e o que sou bombardeia violentamente a escuridão repleta.
queima o lume a boca que na escrita rasga come furtivamente une e destila a palavra obscena. poesia. quando penetro a carne e cuja saída não passa de uma exaltação igual à minha.
na cabeça funda a obscenidade, escrever ora e sem o saber continuar a gozar de mão segura.


Luisa Demétrio Raposo

terça-feira, 12 de agosto de 2014

um inferno é o que separa-me do mundo. é um demónio que rasga-me nos outros, sempre, sempre.
a natureza esbraceja e no barulho não há nada pior que ter que ser antes de escrever.
o corpo, ausência, sem universo entre o papel e a tinta atenta que chama a atenção obscenamente larga.
não temo o lume nem arder no fogo agonizante das labaredas, escrevo o inverso dentre o conflito da carne na arte.
Luisa Demétrio Raposo

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

escrevo para poder desaparecer. escrevo para me diluir nas palavras e assim poder matar a mulher e a carne.
a escrita é o lugar onde pertenço e que no coração está vivo e sangra directamente para o abandono dos textos mantendo-nos ambos vivos.


Luisa Demétrio Raposo


terça-feira, 5 de agosto de 2014

a mariposa é uma racha no vício da acidez que bate com a língua na pele perpendicular obliqua fria líquen no balbucio dos ciclos pegajosos de um vil usurpar que incita bebedeiras e onde a fuga é sempre a falésia, o miradouro, a avalanche que se dilata procurando alinhamentos fundos na tempestade labial que a atravessam.
do sol simples orifício, dinumeram-se que as serpentes possuam a língua que golpeia o estreito golpe onde o adverso é um pequeno interior húmido e escuro mas onde as mãos e a mente escorregam. a abertura da palavra é uma pendente madrugada.


Luisa Demétrio Raposo



domingo, 3 de agosto de 2014

marginais uivos dos pentelhos em erecção quando não veneram movem-se a fim de gladiar. indigente o animal que sai nu no olho incentivado pelo escuro a ofegar abundancia.
Luisa Demétrio Raposo 
GRITO
a manobra grotesca. o abuso que mais se destaca no meu vocabulário entre as assimetrias temperamentais das quais sou constituída inteiramente. largas as linhas onde me cai a boca sobre o abalo vivo e íngreme.
Luisa Demétrio Raposo

sábado, 2 de agosto de 2014

a noite é um curso comprido que remexe os porões mais profundos onde posso imaginar a desordem em que tudo termina e em tudo recomeça do foder à forma que inclina o enfrentar da numeral e aterradora invasão epistolar…
e já que fica tão longe a anarquia e nada mais me pode salvar, urinemos.

Luisa Demétrio Raposo
gosto de poesia quando se processa delinquente pela mão fora sem condições escravas se lê inteira mente quente. leitura ânua onde a língua pronuncia o português entre o fundo e aberto enterrar.
nos livros não gosto de ferimentos florais nem de obediências ternas. a isso, prefiro a corte que morta circula pelas bibliotecas-cadáveres.

Luisa Demétrio Raposo
o barulho é a violência decorrente. a incursão caligráfica do soar inaudível que me abriga no lado de dentro da oposição inflexível. a violência atrás do meu endereço caça morde come na escuridão a voz. imponente é o corporal público. um falatório folclórico de símios que habitam estas gentes alucinantemente e que me devoram ao longo do correligionário ponto. da cabeça cortaram-me o silêncio e tudo o que me rodeia excremento.
Luisa Demétrio Raposo

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Eu quero.
Quero um deserto de espessura longa. O calor que provoca fogos e tudo o que se engole no gole do lume e que cresce na minha flor interior, onde as sementes são rugosas e os veios incham o sumo que escorre pela língua ao fundo de entre o lodo, na vulva, a mata sinuosa onde sexos consomem baixinho no flutuar imutável da espiral.

Luisa Demétrio Raposo

terça-feira, 29 de julho de 2014



estou só e exilada no meu sentir, só. inerte a violência emaranhada. o sentir mortífero. a destilação escarlate o monologo onde os meus partos anárquicos suturam atmosferas estuantes.
o terror irresoluto. desespero na massa que engole e reúne alcateias para em mim libertar tempestades.
escuto-me em circunvalação, a voz tecla. o hálito vertical.
da prática alimenta-se o esfíncter, linha-de-sal.
Luisa Demétrio Raposo


foto Joel Peter Witkin
A sílaba dízima
medra entre o escuro que dá e recebe sexo no charco onde pulsa o órgão-poema
o fogo abrasa-mo entre o orgasmo que pedala revolucionário e incestuoso
.

Luisa Demétrio Raposo
* pensamento do dia

segunda-feira, 28 de julho de 2014

pensamento do dia

na escrita não existe o paraíso e se existe é porque o texto não é poesia.
a poesia é um inferno interno. o poeta a droga que o alimenta. dentro, na leitura de cada leitor habita um carrasco. as leituras são a carnificina que a degolam, quanto mais um poeta é lido mais rapidamente morre e é esquecido.
a literatura é uma arte violenta, morre-se demasiado.



*pensamento do dia
 
Luisa Demétrio Raposo

segunda-feira, 21 de julho de 2014

"o arco deixa em ponto um vermelho solto e este grita-se pelo risco consanguíneo
a ribeira a haste rasga
os lábios o montem em rítmicas florações maduras a horizonte pelo espaço fluido onde a língua-borboleta volteja incessantemente plácida curta e afã
entra estaca a fissura um sítio demasiado sito a rotação convulsa em relevos que percorrem definitivos os da mão afogada onde o latex experimenta vivo o escuro e explode meta fora"

Luisa Demétrio Raposo


in Ammaia


[ela]
 no ópio que prolifera entre áridos ares e eriçadas os corpos crus rasgam-se em massas. faz-se a separação dentro do céu denso; sangue e lugares, entre os genitais se unificam para despedaçarem-se em violentos lumes encharcando os órgãos vivos em químicos que se devoram completos e duros até ao núcleo, na respiração que ardentemente brota dum cume inchado da carne.

Luisa Demétrio Raposo
O granito, afogou-se nos estilhaços, nos olhos descalços, nas cavidades paradas do meu rosto, no enclave de um infinito desgosto, na morte, aquela que eu nunca falo à noite, mas que me habita ferozmente grande.

do meu livro " Amala Ammaia"
Luisa Demétrio Raposo
(ele)
a sede é um seio em plena ferragem. o beber interminável, articulando o desembarcar, entre, entra para se consagrar hipnotizador, na ponta o som mergulha um espaço negro onde o pénis em cauda descalça o som incessantemente da metáfora em liberdade.

Luisa Demétrio Raposo

sábado, 19 de julho de 2014

"a brasa o espaço a visão e a sua execução atravessam a carne para alamar a escrita.
desapareço afogada no céu ortográfico. é inútil escrever sob o sexo e sob os arredores porque o engate semeia-se a estibordo a desaguar os fluidos-sémen;
a grande nau, o prepúcio lambe a caligrafia impedido o afastar as raízes e na boca queimando-me todas as direcções, um pénis cai do papel para submergir ruas inteiras.

a página sensível à miragem recente do poema, salvar-se-á quem nela se despenhe."

 

retirado do meu livro "Ammaia"
Luísa Demétrio Raposo
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quarta-feira, 16 de julho de 2014

o poeta não existe. a poesia que escreveu torna-se orgânica e partiu deixando um defunto sem dó nem piedade.
a alma foi no poema. o poeta fica, morto.
tudo o resto é ego, ilusão.

Luisa Demétrio Raposo
"pretexto na carne que está viva entre as sequências húmidas da moita. defecar perturba. um poema aceso simples iodo. o sexo desaperta o sangue. o esfíncter a larga e desintegra-se à sombra soerga. a pauta escarlate aquece a pele os veios que se refalsam de entre a intensa merda que sai tacteando tudo num abuso ânuo."
Luisa Demétrio Raposo
(...)Encontro-me na paisagem no caos a escrever um rasto de tinta e a interinidade do lado dextra de dentro da terra onde se erguem os fundos de um sítio e onde se atravessam nus todos os bichos molhados(...)
in "al mojanda"

Luisa Demétrio Raposo
(...)Entre a aberta sinto a mão húmida na caligrafia que arguta pela página e que no texto fia. Ardo. Escrevendo, no percurso mutilado da estratosfera dum sexo navegante. Junto ao círculo as labaredas animais exterminam e contaminam o fruto aumentando o seu volume em carne. O engate expande-se ao céu-da-boca. A água, ardina poça despenha-se entre as pernas sob o texto em liberdade.
Uma réplica cintila fértil(...)

do meu livro "al mojanda"Luisa Demétrio Raposo

terça-feira, 15 de julho de 2014

os meus livros e eu, indigentes.

desmorona-se a roda mineral sob o coitar
nómada a voz órbita o largo asfaltar húmido
abrasa-mo a carnagem na abaixo cheia a haste queimando-me as eiras e as fluidas que a boca encharca no esperma ingerido


quarta-feira, 9 de julho de 2014

sangue
molde grotesco o latejar dos becos a carne o pátio de entre brechas onde a noite rama avenidas e o prolongamento das hastes orgânicas gera tumultos
sangues
uma ficha irrigada que absorve e alimenta-se de todas as narrativas que esbracejam
a
poesia em regatos perifericamente amplos largos e que esboçam nos orifícios a corrente exilada a meio das artérias e que se defrontam em redemoinho...
s escoriados de um entalar

vaselina
o subsolo esculpe a instantaneidade o sangue em caos e é a funda por onde oscila o imbuído sexo de entre os milhares de devires à confluência vermelha dos ribeiros em intervenção

Luisa Demétrio Raposo
"à procura de um deus sobre o papel
 

a boca incindido sobre o sexo infindável e quente onde a língua escreve sombras"




Luisa Demétrio Raposo
amo poesia quando é carne e sangue sem condições escravas se lê inteiramente quente
 
verme literário
é um cotovelo carregado de ossos que me atulha os passos e que não permite à maresia pentelhos e nem à vulva a escrita amamentar

...
Luisa Demétrio Raposo
* pensamento do dia

segunda-feira, 7 de julho de 2014

pensamento do dia

“sinto-me uma ilha, rodeada de divisão. um maremoto onde se afundam os cais de todos os barcos que tentam atracar”
Luisa Demétrio Raposo

dia

“a sede mortalha nexo ao fogo povoando-me de terramotos. sol, a erecção o buraco assimétrico do corpo atrás da carne o dia entre o sangue flecha ânua, estrangula ou degola os poros onde afloram os sentidos e a escuridão viva que perfura a fossa, pulmão.”
Luisa Demétrio Raposo

quinta-feira, 19 de junho de 2014



 chove em todos os meus desertos. árida leitura que o sentir voluta. o grito do sangue grita inteiro na erecção os grãos de areia arquipélagos desordenam a voz o poema o fogo o deserto aberto 

ser é tudo isto. 
 

 

sábado, 7 de junho de 2014

"o meu coração é um lugar absoluto onde o sangue treme e se funde com o desconhecido. fogo abrasa-mo. alimenta-se de excessos e tal como num deserto o poema fere de orbita em orbita as margens cruas da carne que soluça muda rota."
Luisa Demétrio Raposo
in Junho 2014

* à minha mãe, eternamente.

quinta-feira, 5 de junho de 2014


dentro das mãos ressurgem desertos a noite e centenas de diálogos guerreiam lado a lado a primitividade das palavras
e escrevo
o respirar dos genitais arrancando vertigens entreabertas no desequilíbrio dos buracos entre o ventre húmido que endurece hastes e o escuro incha

Luísa Demétrio Raposo

*


O disparo contorce-se cheio de tenacidade acima do respirar vertiginoso, dentre a braguilha onde existe um advertir alto, aberto á força da minha alargada geografia segadora, a musselina…

Ao fundo da saia a largada sensível alcança a tua voz, a mesma que convida, suspirante, e abraça-me entre as agudas labaredas que latejam, latejam, entre a folhagem que se desata.

As tuas mãos são aqueles dois animais em fuga, pelo torno do meu corpo em turbulência, a viagem vírgula que calcorreia todas as desembocaduras na profundez que em redor do sexo acariciam a risca inquieta, tão deliciosamente.

A tua boca o equinócio que sustenta a minha no corrimento infernal das línguas libidinosas suturando obliquamente o íman que ambas possuem.

 O cabelo, mais acima do cenário, arfando, completamente aborígene, onde os teus dedos se despenham e amplificam…

sexta-feira, 23 de maio de 2014

"Violento o sítio onde a insónia arde em zilhões de falarás curiosas. Circunlóquios. Pentelhos sob a artéria em carvão revelam esse carbonizado que possuo."
do meu livro, al mojanda

segunda-feira, 19 de maio de 2014

sobre o universo livro

"A escrita é um sexo, os órgãos a palavra. Em cada extensão um outro leitor, um outro sexo fodendo tudo em ilimitadas orgíacas interpretações fêmeas e másculas.
Os livros são ejaculações na infinidade da leitura húmida que precipita mergulhos e saltos e o sémen enlameia-nos as passagens onde as imagens devoram todos os becos, um coito de brecha em brecha onde todos os pénis carnificam a leitura e a fodem, compulsivamente.
A leitura a Deusa, um orgasmo onde tudo circula dentro de um batimento forte que abrasa, pulsa e repulsa. Um tesão.

Fora disto todo o poema ou texto ou é sonambulismo ou uma merda."


Luisa Demétrio Raposo





sexta-feira, 11 de abril de 2014

in al mojanda

Arde a região e a música é uma bala ferrando os lábios, soldando o meu corpo minado, devorando a escuridão em mim outrora morta. O sangue luminoso, pulsando entre as estrelas.
A boca, acesa, o húmido arpão, o resfolgar da água indomável à v
elocidade das beiras que lá fora gritam.
Sou a única personagem desarrumada. Escrevo o vento o lodo e à saída da mata o broche na boca aberta rebenta a humidade no pânico da cal, ancora, entaipado debaixo da muralha.
A poesia irrompe da submersa pólvora que salga e dilata os desertos embates que no meio das mãos rasgam traços e os linhos tímidos das vergônteas a preto e branco que na penumbra perfuram a originalidade vulva.

 
Luísa Demétrio Raposo
 

sexta-feira, 21 de março de 2014

subúrbios




A dor é o útero por onde a minha carne sangra, é sobretudo o vício de escrever em lume aberto onde a rua se perde até à raiz.

Na escrita abro-me aos dias humedeço a noite e às vezes o escuro.


Luísa Demétrio Raposo


 
 
* foto de Paul Cava 2001

quinta-feira, 20 de março de 2014

do meu livro "al mojanda"



    "A carne, uma ilha, o sangue do outro lado nómada anaça nas margens desoladas. O corpo, cais reflectido e nele pernoitarei mais uma noite deixando-me cair. A essência da selva o odor inquietante na terra molhada onde o musgo é denso e forte e ouvem-se excitada as águas que albergam o mar em toda a órbita do sal."
Em poesia ou em prosa um pénis é somente um prisioneiro que se cobre de lume.
Em poesia ou em prosa na vulva cresce a ereção de uma mulher sábia.

ldr

terça-feira, 18 de março de 2014

III


Escrever tornou-se um acto felino.

 
 Arde a tinta brava no interior na cal a riscada dá água a beber aos dedos mornos, que preparam quedas entre dois lençóis que miam. O ruído albergando-se nos inúmeros teoremas mentais que alcançam a orgia clarinada entre os acabramemos e a resistência térrea do desejo. A seiva prenha de vida.

Duas bocas um único labirinto; no fora para dentro; o angulo escuro amaga.

Perscruto aberto. Intacto o fogo onde a pele salga o desassossego voo.

 Resvalam os nervos curvilíneos incorporados nos socalcos. A boca acorda a outra boca e apalpam-se nas paredes os segredos que gemem e apalpam a ansiedade desabrochando no sexo que lhe mete o fogo indefinidamente no enroscar das línguas presas pelo cio, puxadas pelo tesão que rasga e gira ciclicamente em espiral.
 
in " al mojanda"


Luísa Demétrio Raposo

sexta-feira, 14 de março de 2014

II


Toda a escrita é sexo, o orgasmo transparece nas palavras. Em cada leito, um outro leitor, um outro sexo fodendo todos limites em orgíacas interpretações.
Os livros não passa de ejaculações na infinidade das leituras húmidas e que precipitam mergulhos e saltos que enlouquecem nas suas passagens,
e onde as imagens devoram todos o becos e onde todos os desenfreados tinteiros carnificam a boca e a
fodem.
Não existe Deus sem tesão nem orgasmo sem degolar a carne e todos os suspiros de uma fronteira secreta, pulsando em brasa e atesando o casulo em cada batimento forte.
Fora disto, tudo o resto é sonambulismo ou uma merda.

Luísa Demétrio Raposo
*a propósito do dia da poesia, hoje, 14 de Março de 2014

quinta-feira, 13 de março de 2014

I

O corpo é o instrumento encerrado na palavra. Nas deslumbradas estações á beira cio onde o sexo, o meu grande sonhador existe


 Luisa Demétrio Raposo

segunda-feira, 10 de março de 2014

*

A pele é um sexo onde os órgãos crescem e as rotações diluem a silhueta secretamente.
 
 
ldr
 
 
* obra de Lucien Freud


o corpo salmodia o silêncio o latido o horto a acrópole que se curva na palavra que aboca o entregar do sussurro à noite que nos apresenta os pormenores do escuro e obscuro.
o sexo o templo o elemento carnívoro que alastra de entre os limbos ângulos dos órgãos geométricos.
ldr

domingo, 16 de fevereiro de 2014

 
 
A boca, masculina é uma  alcateia de águas que foge de entre os curtos caules húmidos das árvores.
O centro da boca a flecha ânua. O lado de indizível que estrangula ou degola a selva de poros onde afloram os sentidos e a escuridão viva s
ustentado nas ribanceiras expansivas de entre flancos negros. O toque dos dedos sobre auréolas salgadas. Perfume transmissível do sémen no denunciar de todos os sorvos na carne que fere o apelo no fundo surgido do nada.
Absoluta a lua ergue-se da égua crescente."

in "al mojanda"
 
 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

areias


 
A sedução evade-se por todos os buracos. No fogo a manhã lava os corpos regressando à noite funda. O cheiro a terra onde coabitam. O sexo um bosque descoberto. A réplica é tentação fértil. O sol cospe o sal em brasa que nas mamas arde lenta mente de encontro aos muros húmidos do caralho em pólvora. Os pentelhos inclinados pernoitam a seivas sem rumo que semeia pelas margens mudas das coxas alagadas. E eu. Encontro-me na paisagem. Escrevendo no rasto de tinta e a interinidade do lado dextra de dentro da terra onde se erguem os fundos de um sítio onde se despenha a carne aberta por um devasso espaço desabitado.O caralho possui tudo com a sua mortalha calcinada. Implacável e cheio. um servo alto e curvilíneo de olhar fixo afunda-se nas coxas vazias. Quero. Quero um deserto de espessura longa. O calor insatisfeito da razia que tudo engole no gole ao lume. Deixei de escrever.  




Luísa Demétrio Raposo

in JAGUANA

lódão




A olência sobre a grande brecha afia o interior
húmido
 
 
 
Como é sublime nela eu morder-te rasgar-te lamber-te moldando-te e aos poucos libertamos-te ou matamos-te.


O sexo provoca fogo e expludamos nós engarrafados. Fundo tão, tão fundo.


in " al mojanda"

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

a passa_ralha




Um beco lento incindido sobre o sexo infindável e quente onde a língua escreve sombras à procura de um deus.

O sémen aceso dentro da saliva fresco à espera de correr. A carne suada das fúrias que exterminam o caule aveludar do reverbero.

A passa_ralha e descobre a parede sentada e crua. Senta-se a lacrima na punheta junto ao sulco  sítio.
 
Pulsa o nylon e desperta o cio em suspensão soerguida. 

O estelar vermelho nas nervuras; a esfera rachada e pegajosa ilida e recita na clareira da brecha rente ao alfa beto ao cheiro da água onde o fogo lava a fulva vazia.

Chove e não há alargar sem a dor. Abraçá-lo-eis. A doer na desmoronada travessia.

 É noite junto aos pentelhos amachucados à pressa. Em pleno voo inquietos em babas e lábios pernoitam os sexos o universo e o sangue aquecido que escreve pelo corpo insula e cardos formas e um longo arrotar demora-se.

Nunca escrevas aqui com um outro rio só com outra febre no porto e que se entorne pela imagem.
 
in "al mojanda"
 
Luísa Demétrio Raposo

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

orgânico

“Um caralho é a caligrafia que na página vincula os enliços abstracto do sexo-escritor. Apalpam-se os testículos e um caralho imenso atravessa as paredes para penetrar buracos atulhados de teias e os cardumes de bocas que coisam malevolamente todos os pentelhos negros que se distendem por um sexo teso.
Atam-se gotas de suor à dor que pernoita transparente a anestesia aberta mente.
Um caralho mer
gulhão vomita florescências de dentro para fora do vocabulário proxeneta durante o enlace efémero no bordel onde se prostituem os sonetos e todos os poemas álgebras.
A escrita erótica cora a mulher e cora o homem em cada palavra que escrevo cosendo a veia debica ao caralho e ao ruído do sémen que tinge a braguilha num intenso ruir de palavrões e pluviosas metáforas.
Os outros crânios que lêem este reflexo são terras fecundas. Quedas do outro lado mais florido na passagem.”

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

sépia

 
 
“O naufrágio abata-se em todos os penhascos. Escarlate a vulva alaga o encarnado na forma circular no contorno da carne distendida e escancaradas e que golpeia na acomodação da seda.
A boca incinde sobre um sexo infindável e quente onde a língua escreve sombras até encontrar a encruzilhada exausta a carne quase, quase, quase, arrulhada onde o desejo envenena com o seu cheiro húmido.
Bebe-se de entre o lodo que ataca e devora a boca com as suas seivas que não passam de teias...
sempre abertas.
Ao lume fala-se baixinho e olha-se demoradamente porque as curvas possuem sabores que inundam a boca com densos aromas. Tolhem-se breves orbitas e este cíclico inflexível extraia o fogo. O cheiro intenso, a ostra visível pressente o sal e despe-se na língua agresta que pouco a pouco lambe… e eu escrevo-te quase a sentir toda a saliva que dos lábios partiu sinuosamente…
Na minucia dos gesto as gotículas de água lambem as barbelas, a mariposa é uma racha no vício da acidez que bate com a língua na pele perpendicular obliqua fria líquen no balbucio dos ciclos pegajosos de um tubérculo que incita bebedeiras e onde a fuga é sempre a falésia, o miradouro, a avalanche que se dilata procurando alinhamentos fundos na tempestade labial que a atravessam. O mar se esquece das trevas e as serpentes possuíam língua a mesma que golpeia o estreito golpe onde o sol é uma pequeno interior húmido e escuro mas onde todas as portas escorregam e das mãos dos amantes a aberta é uma ardente madrugada.”

Luísa Demétrio Raposo, do meu livro " al mojanda"