sexta-feira, 29 de agosto de 2014

escrever as coisas bonitas é um atentado. orar desinteressa-me. iminências, quero a língua toda aberta e ver os mil homens que nela imprensam as conveniências. vómitos.
o após vomitar;
existem fomes maiores num caralho e que o organismo alheio consome. foder o fel manso; a fórmula mais básica. a compulsão cria em si o acto. transcende. ritmo não é conveniência, está muita além. há a energia que sai nas ginetas para os genitais. fora disso é o maior crime. ...
a ordem interna; narração. carne é a única linguagem que rompe. o que a boca fala é um som violento que alastra, a armadilha selvagem das cordas vocais.
há vaginas não que passam de bexigas, só mijam. invejosas; abre indo-vos à largura, comei tudo comeis todos que eu sou totalmente de acordo com a copulação. não fodam é a cabeça aos outros. tu aí entre os comuns, que tocas os teus olhos nos vitrais do que escrevo, não percais tempo, ide antes ao talho e unis a boca à carne. enche-te e preenche-te. alimenta, a masturbação sempre pôs tudo a luzir. despenha-te antes da dissolução, o sal entre as águas potência afectos. urinai, urinai.


Nota: falar antes de defecar pode ser considerado perversão.

Luísa Demétrio Raposo
o extremo é um excremento em libertação, orquestra e desforra-se num peido em sacrário que eu ofereço às libertações barrigudas que menagem o incomensurável sem cu que em combustão arde, arde, e não.

Luisa Demétrio Raposo
o exterior é todos os sítios e visito-me;
agridem-me os pesadelos que dentro nos outros embarcam ausentes do aqui e para o que às imagens descrevo inadequadas são à realidade em que creio.


Luísa Demétrio Raposo
ao fundo do coração uma rua invulgar prosa o escuro e o que sou bombardeia violentamente a escuridão repleta.
queima o lume a boca que na escrita rasga come furtivamente une e destila a palavra obscena. poesia. quando penetro a carne e cuja saída não passa de uma exaltação igual à minha.
na cabeça funda a obscenidade, escrever ora e sem o saber continuar a gozar de mão segura.


Luisa Demétrio Raposo

terça-feira, 12 de agosto de 2014

um inferno é o que separa-me do mundo. é um demónio que rasga-me nos outros, sempre, sempre.
a natureza esbraceja e no barulho não há nada pior que ter que ser antes de escrever.
o corpo, ausência, sem universo entre o papel e a tinta atenta que chama a atenção obscenamente larga.
não temo o lume nem arder no fogo agonizante das labaredas, escrevo o inverso dentre o conflito da carne na arte.
Luisa Demétrio Raposo

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

escrevo para poder desaparecer. escrevo para me diluir nas palavras e assim poder matar a mulher e a carne.
a escrita é o lugar onde pertenço e que no coração está vivo e sangra directamente para o abandono dos textos mantendo-nos ambos vivos.


Luisa Demétrio Raposo


terça-feira, 5 de agosto de 2014

a mariposa é uma racha no vício da acidez que bate com a língua na pele perpendicular obliqua fria líquen no balbucio dos ciclos pegajosos de um vil usurpar que incita bebedeiras e onde a fuga é sempre a falésia, o miradouro, a avalanche que se dilata procurando alinhamentos fundos na tempestade labial que a atravessam.
do sol simples orifício, dinumeram-se que as serpentes possuam a língua que golpeia o estreito golpe onde o adverso é um pequeno interior húmido e escuro mas onde as mãos e a mente escorregam. a abertura da palavra é uma pendente madrugada.


Luisa Demétrio Raposo



domingo, 3 de agosto de 2014

marginais uivos dos pentelhos em erecção quando não veneram movem-se a fim de gladiar. indigente o animal que sai nu no olho incentivado pelo escuro a ofegar abundancia.
Luisa Demétrio Raposo 
GRITO
a manobra grotesca. o abuso que mais se destaca no meu vocabulário entre as assimetrias temperamentais das quais sou constituída inteiramente. largas as linhas onde me cai a boca sobre o abalo vivo e íngreme.
Luisa Demétrio Raposo

sábado, 2 de agosto de 2014

a noite é um curso comprido que remexe os porões mais profundos onde posso imaginar a desordem em que tudo termina e em tudo recomeça do foder à forma que inclina o enfrentar da numeral e aterradora invasão epistolar…
e já que fica tão longe a anarquia e nada mais me pode salvar, urinemos.

Luisa Demétrio Raposo
gosto de poesia quando se processa delinquente pela mão fora sem condições escravas se lê inteira mente quente. leitura ânua onde a língua pronuncia o português entre o fundo e aberto enterrar.
nos livros não gosto de ferimentos florais nem de obediências ternas. a isso, prefiro a corte que morta circula pelas bibliotecas-cadáveres.

Luisa Demétrio Raposo
o barulho é a violência decorrente. a incursão caligráfica do soar inaudível que me abriga no lado de dentro da oposição inflexível. a violência atrás do meu endereço caça morde come na escuridão a voz. imponente é o corporal público. um falatório folclórico de símios que habitam estas gentes alucinantemente e que me devoram ao longo do correligionário ponto. da cabeça cortaram-me o silêncio e tudo o que me rodeia excremento.
Luisa Demétrio Raposo

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Eu quero.
Quero um deserto de espessura longa. O calor que provoca fogos e tudo o que se engole no gole do lume e que cresce na minha flor interior, onde as sementes são rugosas e os veios incham o sumo que escorre pela língua ao fundo de entre o lodo, na vulva, a mata sinuosa onde sexos consomem baixinho no flutuar imutável da espiral.

Luisa Demétrio Raposo

terça-feira, 29 de julho de 2014



estou só e exilada no meu sentir, só. inerte a violência emaranhada. o sentir mortífero. a destilação escarlate o monologo onde os meus partos anárquicos suturam atmosferas estuantes.
o terror irresoluto. desespero na massa que engole e reúne alcateias para em mim libertar tempestades.
escuto-me em circunvalação, a voz tecla. o hálito vertical.
da prática alimenta-se o esfíncter, linha-de-sal.
Luisa Demétrio Raposo


foto Joel Peter Witkin
A sílaba dízima
medra entre o escuro que dá e recebe sexo no charco onde pulsa o órgão-poema
o fogo abrasa-mo entre o orgasmo que pedala revolucionário e incestuoso
.

Luisa Demétrio Raposo
* pensamento do dia

segunda-feira, 28 de julho de 2014

pensamento do dia

na escrita não existe o paraíso e se existe é porque o texto não é poesia.
a poesia é um inferno interno. o poeta a droga que o alimenta. dentro, na leitura de cada leitor habita um carrasco. as leituras são a carnificina que a degolam, quanto mais um poeta é lido mais rapidamente morre e é esquecido.
a literatura é uma arte violenta, morre-se demasiado.



*pensamento do dia
 
Luisa Demétrio Raposo

segunda-feira, 21 de julho de 2014

"o arco deixa em ponto um vermelho solto e este grita-se pelo risco consanguíneo
a ribeira a haste rasga
os lábios o montem em rítmicas florações maduras a horizonte pelo espaço fluido onde a língua-borboleta volteja incessantemente plácida curta e afã
entra estaca a fissura um sítio demasiado sito a rotação convulsa em relevos que percorrem definitivos os da mão afogada onde o latex experimenta vivo o escuro e explode meta fora"

Luisa Demétrio Raposo


in Ammaia


[ela]
 no ópio que prolifera entre áridos ares e eriçadas os corpos crus rasgam-se em massas. faz-se a separação dentro do céu denso; sangue e lugares, entre os genitais se unificam para despedaçarem-se em violentos lumes encharcando os órgãos vivos em químicos que se devoram completos e duros até ao núcleo, na respiração que ardentemente brota dum cume inchado da carne.

Luisa Demétrio Raposo
O granito, afogou-se nos estilhaços, nos olhos descalços, nas cavidades paradas do meu rosto, no enclave de um infinito desgosto, na morte, aquela que eu nunca falo à noite, mas que me habita ferozmente grande.

do meu livro " Amala Ammaia"
Luisa Demétrio Raposo
(ele)
a sede é um seio em plena ferragem. o beber interminável, articulando o desembarcar, entre, entra para se consagrar hipnotizador, na ponta o som mergulha um espaço negro onde o pénis em cauda descalça o som incessantemente da metáfora em liberdade.

Luisa Demétrio Raposo

sábado, 19 de julho de 2014

"a brasa o espaço a visão e a sua execução atravessam a carne para alamar a escrita.
desapareço afogada no céu ortográfico. é inútil escrever sob o sexo e sob os arredores porque o engate semeia-se a estibordo a desaguar os fluidos-sémen;
a grande nau, o prepúcio lambe a caligrafia impedido o afastar as raízes e na boca queimando-me todas as direcções, um pénis cai do papel para submergir ruas inteiras.

a página sensível à miragem recente do poema, salvar-se-á quem nela se despenhe."

 

retirado do meu livro "Ammaia"
Luísa Demétrio Raposo
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quarta-feira, 16 de julho de 2014

o poeta não existe. a poesia que escreveu torna-se orgânica e partiu deixando um defunto sem dó nem piedade.
a alma foi no poema. o poeta fica, morto.
tudo o resto é ego, ilusão.

Luisa Demétrio Raposo
"pretexto na carne que está viva entre as sequências húmidas da moita. defecar perturba. um poema aceso simples iodo. o sexo desaperta o sangue. o esfíncter a larga e desintegra-se à sombra soerga. a pauta escarlate aquece a pele os veios que se refalsam de entre a intensa merda que sai tacteando tudo num abuso ânuo."
Luisa Demétrio Raposo
(...)Encontro-me na paisagem no caos a escrever um rasto de tinta e a interinidade do lado dextra de dentro da terra onde se erguem os fundos de um sítio e onde se atravessam nus todos os bichos molhados(...)
in "al mojanda"

Luisa Demétrio Raposo
(...)Entre a aberta sinto a mão húmida na caligrafia que arguta pela página e que no texto fia. Ardo. Escrevendo, no percurso mutilado da estratosfera dum sexo navegante. Junto ao círculo as labaredas animais exterminam e contaminam o fruto aumentando o seu volume em carne. O engate expande-se ao céu-da-boca. A água, ardina poça despenha-se entre as pernas sob o texto em liberdade.
Uma réplica cintila fértil(...)

do meu livro "al mojanda"Luisa Demétrio Raposo

terça-feira, 15 de julho de 2014

os meus livros e eu, indigentes.

desmorona-se a roda mineral sob o coitar
nómada a voz órbita o largo asfaltar húmido
abrasa-mo a carnagem na abaixo cheia a haste queimando-me as eiras e as fluidas que a boca encharca no esperma ingerido


quarta-feira, 9 de julho de 2014

sangue
molde grotesco o latejar dos becos a carne o pátio de entre brechas onde a noite rama avenidas e o prolongamento das hastes orgânicas gera tumultos
sangues
uma ficha irrigada que absorve e alimenta-se de todas as narrativas que esbracejam
a
poesia em regatos perifericamente amplos largos e que esboçam nos orifícios a corrente exilada a meio das artérias e que se defrontam em redemoinho...
s escoriados de um entalar

vaselina
o subsolo esculpe a instantaneidade o sangue em caos e é a funda por onde oscila o imbuído sexo de entre os milhares de devires à confluência vermelha dos ribeiros em intervenção

Luisa Demétrio Raposo
"à procura de um deus sobre o papel
 

a boca incindido sobre o sexo infindável e quente onde a língua escreve sombras"




Luisa Demétrio Raposo
amo poesia quando é carne e sangue sem condições escravas se lê inteiramente quente
 
verme literário
é um cotovelo carregado de ossos que me atulha os passos e que não permite à maresia pentelhos e nem à vulva a escrita amamentar

...
Luisa Demétrio Raposo
* pensamento do dia

segunda-feira, 7 de julho de 2014

pensamento do dia

“sinto-me uma ilha, rodeada de divisão. um maremoto onde se afundam os cais de todos os barcos que tentam atracar”
Luisa Demétrio Raposo

dia

“a sede mortalha nexo ao fogo povoando-me de terramotos. sol, a erecção o buraco assimétrico do corpo atrás da carne o dia entre o sangue flecha ânua, estrangula ou degola os poros onde afloram os sentidos e a escuridão viva que perfura a fossa, pulmão.”
Luisa Demétrio Raposo

quinta-feira, 19 de junho de 2014



 chove em todos os meus desertos. árida leitura que o sentir voluta. o grito do sangue grita inteiro na erecção os grãos de areia arquipélagos desordenam a voz o poema o fogo o deserto aberto 

ser é tudo isto. 
 

 

sábado, 7 de junho de 2014

"o meu coração é um lugar absoluto onde o sangue treme e se funde com o desconhecido. fogo abrasa-mo. alimenta-se de excessos e tal como num deserto o poema fere de orbita em orbita as margens cruas da carne que soluça muda rota."
Luisa Demétrio Raposo
in Junho 2014

* à minha mãe, eternamente.

quinta-feira, 5 de junho de 2014


dentro das mãos ressurgem desertos a noite e centenas de diálogos guerreiam lado a lado a primitividade das palavras
e escrevo
o respirar dos genitais arrancando vertigens entreabertas no desequilíbrio dos buracos entre o ventre húmido que endurece hastes e o escuro incha

Luísa Demétrio Raposo

*


O disparo contorce-se cheio de tenacidade acima do respirar vertiginoso, dentre a braguilha onde existe um advertir alto, aberto á força da minha alargada geografia segadora, a musselina…

Ao fundo da saia a largada sensível alcança a tua voz, a mesma que convida, suspirante, e abraça-me entre as agudas labaredas que latejam, latejam, entre a folhagem que se desata.

As tuas mãos são aqueles dois animais em fuga, pelo torno do meu corpo em turbulência, a viagem vírgula que calcorreia todas as desembocaduras na profundez que em redor do sexo acariciam a risca inquieta, tão deliciosamente.

A tua boca o equinócio que sustenta a minha no corrimento infernal das línguas libidinosas suturando obliquamente o íman que ambas possuem.

 O cabelo, mais acima do cenário, arfando, completamente aborígene, onde os teus dedos se despenham e amplificam…

sexta-feira, 23 de maio de 2014

"Violento o sítio onde a insónia arde em zilhões de falarás curiosas. Circunlóquios. Pentelhos sob a artéria em carvão revelam esse carbonizado que possuo."
do meu livro, al mojanda

segunda-feira, 19 de maio de 2014

sobre o universo livro

"A escrita é um sexo, os órgãos a palavra. Em cada extensão um outro leitor, um outro sexo fodendo tudo em ilimitadas orgíacas interpretações fêmeas e másculas.
Os livros são ejaculações na infinidade da leitura húmida que precipita mergulhos e saltos e o sémen enlameia-nos as passagens onde as imagens devoram todos os becos, um coito de brecha em brecha onde todos os pénis carnificam a leitura e a fodem, compulsivamente.
A leitura a Deusa, um orgasmo onde tudo circula dentro de um batimento forte que abrasa, pulsa e repulsa. Um tesão.

Fora disto todo o poema ou texto ou é sonambulismo ou uma merda."


Luisa Demétrio Raposo





sexta-feira, 11 de abril de 2014

in al mojanda

Arde a região e a música é uma bala ferrando os lábios, soldando o meu corpo minado, devorando a escuridão em mim outrora morta. O sangue luminoso, pulsando entre as estrelas.
A boca, acesa, o húmido arpão, o resfolgar da água indomável à v
elocidade das beiras que lá fora gritam.
Sou a única personagem desarrumada. Escrevo o vento o lodo e à saída da mata o broche na boca aberta rebenta a humidade no pânico da cal, ancora, entaipado debaixo da muralha.
A poesia irrompe da submersa pólvora que salga e dilata os desertos embates que no meio das mãos rasgam traços e os linhos tímidos das vergônteas a preto e branco que na penumbra perfuram a originalidade vulva.

 
Luísa Demétrio Raposo
 

sexta-feira, 21 de março de 2014

subúrbios




A dor é o útero por onde a minha carne sangra, é sobretudo o vício de escrever em lume aberto onde a rua se perde até à raiz.

Na escrita abro-me aos dias humedeço a noite e às vezes o escuro.


Luísa Demétrio Raposo


 
 
* foto de Paul Cava 2001

quinta-feira, 20 de março de 2014

do meu livro "al mojanda"



    "A carne, uma ilha, o sangue do outro lado nómada anaça nas margens desoladas. O corpo, cais reflectido e nele pernoitarei mais uma noite deixando-me cair. A essência da selva o odor inquietante na terra molhada onde o musgo é denso e forte e ouvem-se excitada as águas que albergam o mar em toda a órbita do sal."
Em poesia ou em prosa um pénis é somente um prisioneiro que se cobre de lume.
Em poesia ou em prosa na vulva cresce a ereção de uma mulher sábia.

ldr

terça-feira, 18 de março de 2014

III


Escrever tornou-se um acto felino.

 
 Arde a tinta brava no interior na cal a riscada dá água a beber aos dedos mornos, que preparam quedas entre dois lençóis que miam. O ruído albergando-se nos inúmeros teoremas mentais que alcançam a orgia clarinada entre os acabramemos e a resistência térrea do desejo. A seiva prenha de vida.

Duas bocas um único labirinto; no fora para dentro; o angulo escuro amaga.

Perscruto aberto. Intacto o fogo onde a pele salga o desassossego voo.

 Resvalam os nervos curvilíneos incorporados nos socalcos. A boca acorda a outra boca e apalpam-se nas paredes os segredos que gemem e apalpam a ansiedade desabrochando no sexo que lhe mete o fogo indefinidamente no enroscar das línguas presas pelo cio, puxadas pelo tesão que rasga e gira ciclicamente em espiral.
 
in " al mojanda"


Luísa Demétrio Raposo

sexta-feira, 14 de março de 2014

II


Toda a escrita é sexo, o orgasmo transparece nas palavras. Em cada leito, um outro leitor, um outro sexo fodendo todos limites em orgíacas interpretações.
Os livros não passa de ejaculações na infinidade das leituras húmidas e que precipitam mergulhos e saltos que enlouquecem nas suas passagens,
e onde as imagens devoram todos o becos e onde todos os desenfreados tinteiros carnificam a boca e a
fodem.
Não existe Deus sem tesão nem orgasmo sem degolar a carne e todos os suspiros de uma fronteira secreta, pulsando em brasa e atesando o casulo em cada batimento forte.
Fora disto, tudo o resto é sonambulismo ou uma merda.

Luísa Demétrio Raposo
*a propósito do dia da poesia, hoje, 14 de Março de 2014

quinta-feira, 13 de março de 2014

I

O corpo é o instrumento encerrado na palavra. Nas deslumbradas estações á beira cio onde o sexo, o meu grande sonhador existe


 Luisa Demétrio Raposo

segunda-feira, 10 de março de 2014

*

A pele é um sexo onde os órgãos crescem e as rotações diluem a silhueta secretamente.
 
 
ldr
 
 
* obra de Lucien Freud


o corpo salmodia o silêncio o latido o horto a acrópole que se curva na palavra que aboca o entregar do sussurro à noite que nos apresenta os pormenores do escuro e obscuro.
o sexo o templo o elemento carnívoro que alastra de entre os limbos ângulos dos órgãos geométricos.
ldr

domingo, 16 de fevereiro de 2014

 
 
A boca, masculina é uma  alcateia de águas que foge de entre os curtos caules húmidos das árvores.
O centro da boca a flecha ânua. O lado de indizível que estrangula ou degola a selva de poros onde afloram os sentidos e a escuridão viva s
ustentado nas ribanceiras expansivas de entre flancos negros. O toque dos dedos sobre auréolas salgadas. Perfume transmissível do sémen no denunciar de todos os sorvos na carne que fere o apelo no fundo surgido do nada.
Absoluta a lua ergue-se da égua crescente."

in "al mojanda"
 
 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

areias


 
A sedução evade-se por todos os buracos. No fogo a manhã lava os corpos regressando à noite funda. O cheiro a terra onde coabitam. O sexo um bosque descoberto. A réplica é tentação fértil. O sol cospe o sal em brasa que nas mamas arde lenta mente de encontro aos muros húmidos do caralho em pólvora. Os pentelhos inclinados pernoitam a seivas sem rumo que semeia pelas margens mudas das coxas alagadas. E eu. Encontro-me na paisagem. Escrevendo no rasto de tinta e a interinidade do lado dextra de dentro da terra onde se erguem os fundos de um sítio onde se despenha a carne aberta por um devasso espaço desabitado.O caralho possui tudo com a sua mortalha calcinada. Implacável e cheio. um servo alto e curvilíneo de olhar fixo afunda-se nas coxas vazias. Quero. Quero um deserto de espessura longa. O calor insatisfeito da razia que tudo engole no gole ao lume. Deixei de escrever.  




Luísa Demétrio Raposo

in JAGUANA

lódão




A olência sobre a grande brecha afia o interior
húmido
 
 
 
Como é sublime nela eu morder-te rasgar-te lamber-te moldando-te e aos poucos libertamos-te ou matamos-te.


O sexo provoca fogo e expludamos nós engarrafados. Fundo tão, tão fundo.


in " al mojanda"

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

a passa_ralha




Um beco lento incindido sobre o sexo infindável e quente onde a língua escreve sombras à procura de um deus.

O sémen aceso dentro da saliva fresco à espera de correr. A carne suada das fúrias que exterminam o caule aveludar do reverbero.

A passa_ralha e descobre a parede sentada e crua. Senta-se a lacrima na punheta junto ao sulco  sítio.
 
Pulsa o nylon e desperta o cio em suspensão soerguida. 

O estelar vermelho nas nervuras; a esfera rachada e pegajosa ilida e recita na clareira da brecha rente ao alfa beto ao cheiro da água onde o fogo lava a fulva vazia.

Chove e não há alargar sem a dor. Abraçá-lo-eis. A doer na desmoronada travessia.

 É noite junto aos pentelhos amachucados à pressa. Em pleno voo inquietos em babas e lábios pernoitam os sexos o universo e o sangue aquecido que escreve pelo corpo insula e cardos formas e um longo arrotar demora-se.

Nunca escrevas aqui com um outro rio só com outra febre no porto e que se entorne pela imagem.
 
in "al mojanda"
 
Luísa Demétrio Raposo

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

orgânico

“Um caralho é a caligrafia que na página vincula os enliços abstracto do sexo-escritor. Apalpam-se os testículos e um caralho imenso atravessa as paredes para penetrar buracos atulhados de teias e os cardumes de bocas que coisam malevolamente todos os pentelhos negros que se distendem por um sexo teso.
Atam-se gotas de suor à dor que pernoita transparente a anestesia aberta mente.
Um caralho mer
gulhão vomita florescências de dentro para fora do vocabulário proxeneta durante o enlace efémero no bordel onde se prostituem os sonetos e todos os poemas álgebras.
A escrita erótica cora a mulher e cora o homem em cada palavra que escrevo cosendo a veia debica ao caralho e ao ruído do sémen que tinge a braguilha num intenso ruir de palavrões e pluviosas metáforas.
Os outros crânios que lêem este reflexo são terras fecundas. Quedas do outro lado mais florido na passagem.”

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

sépia

 
 
“O naufrágio abata-se em todos os penhascos. Escarlate a vulva alaga o encarnado na forma circular no contorno da carne distendida e escancaradas e que golpeia na acomodação da seda.
A boca incinde sobre um sexo infindável e quente onde a língua escreve sombras até encontrar a encruzilhada exausta a carne quase, quase, quase, arrulhada onde o desejo envenena com o seu cheiro húmido.
Bebe-se de entre o lodo que ataca e devora a boca com as suas seivas que não passam de teias...
sempre abertas.
Ao lume fala-se baixinho e olha-se demoradamente porque as curvas possuem sabores que inundam a boca com densos aromas. Tolhem-se breves orbitas e este cíclico inflexível extraia o fogo. O cheiro intenso, a ostra visível pressente o sal e despe-se na língua agresta que pouco a pouco lambe… e eu escrevo-te quase a sentir toda a saliva que dos lábios partiu sinuosamente…
Na minucia dos gesto as gotículas de água lambem as barbelas, a mariposa é uma racha no vício da acidez que bate com a língua na pele perpendicular obliqua fria líquen no balbucio dos ciclos pegajosos de um tubérculo que incita bebedeiras e onde a fuga é sempre a falésia, o miradouro, a avalanche que se dilata procurando alinhamentos fundos na tempestade labial que a atravessam. O mar se esquece das trevas e as serpentes possuíam língua a mesma que golpeia o estreito golpe onde o sol é uma pequeno interior húmido e escuro mas onde todas as portas escorregam e das mãos dos amantes a aberta é uma ardente madrugada.”

Luísa Demétrio Raposo, do meu livro " al mojanda"



"O olho do cu é o charco na massa solta a arder na translação boémia. Um porto, ensopado. A ribeira, almejante, almo janda, al mo janda, em torno de um ponteiro descalçado. Um território, aceso, coberto de musgo, cintilações, mugidos, e de odores que aceleram os vocabulários nos lagos pelos sexos engolidos. Nos roucos roncos do pénis que gulosamente grita de entre as peçonhentas substâncias da terra coberta de chuva."

do meu livro "al mojanda"

"Odores na revolta e o latejar brunido é um segredo fêmea foram sempre entre os caules húmidos, escondidos na íntima nudez, no infinito da rosácea, onde se encurvam as mãos e os sexos empolados se encharcam e abrem irradiações inexplicáveis.
É amargo o deserto que a pele concede á luxuria, a que se ergue e me morde, tropeçando em lugares, aqui e acolá e que serpenteiam entre a vagina, gemente."

do meu livro "al mojanda"

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

horda o corpo


O foge ensina às letras o soterrar imperceptível. Acaroa-se. Imagina-se e lambem-se toda a explosão que detém o sémen acorrentado, mudo, no interior do corpo que se masturba a cada debruçar que respira e grulha. O prepúcio que a boca suga, as águas que lambem e pela negra engolem tudo na revolta doada da língua em chama lenta, o repetir dos planos em rodapé. Ele geme. E sobre os lábios a pauta escarlate aquece a pele dos veios que se refalsam de entre a intensa chuva que sai tacteando todo o dorso penial.


A palavra húmida no desejo projecta-se, a terra, acesa acende a necessidade estendida. Renascem lodos. O sexo desaperta o sangue. Desintegra-se a braguilha, a imagem ergue o pénis que repousa à sombra soerga. O escorregar alarga o corredor e da boca onde o sal anda sobre os gemidos, sugam-se paredes que um céu contrabandeia de entre o precipício recortado do lábio ancorado ao porto que tropeça nos enormes pentelhos…


* pertence a JAGUANA, luísa demétrio raposo, 2014

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Os seios dela, anelantes disseminando-me a língua. Os seios dela, gumes, em copas escancaradas, as auréolas bárbaras, na língua que tremia e o mamilo lambiam, lá onde os dois cumes eram de leite e cheios de tempestades salgadas.  A cama, em cada poro, nela, os meus órgãos cresciam e as rotações bobeavam as duplas silhuetas, juntamente, secretamente nos sexos felinos crepitando-se, aveludadas, as virilhas repletas de tinteiros e de prosas em sanha gota a gota, as duas púbis suadas. 
Nas veias, a cama, irrompe, a vertigem, trilhada, o meu endereço amante, o epicentro do equilíbrio e o desequilíbrio, à nossa volta a precipitação e a bigorna sem rosto, na cópula.
Abrindo-se em travessias, a vagina encharcando-se em palavras e poemas, linhas e núcleos, pólvoras, golfadas e lanços nadando, nadando entre águas minadas, entrando nas duplas ancas contorcendo o mundo húmido, vibrantes, vibrando, vibrando, vibrando, vibrando, entre o espaço e os dedos navegadores em debate.
Chove sob o navegar da carne, bem a meio rio, o ânus, o buraco entre os escombros, onde o delírio se abre no repente da imagem larga.
A memória bruta da seda, a imagem das suas entranhas esmagando-me.
  Seda a carne, encostada na página inteira, na escrita que se vai fixando e se vai fechando a cada onda orgástica, a cada profundo nó, as trevas, o enxofre cai nas margens, iluminando a ceifa e nós, abertas, nas espasmódicas respirações, num cais, ateando toda a memória atenta, avassalando nas frases a frase. O cio a desmoronar-se onde os buracos fervem e nos abrasando não só a Alma, mas também toda a carne hasta.

Luísa Demétrio Raposo

domingo, 26 de janeiro de 2014



estou onde a palavra húmida, cresce, um sítio estreito onde a realidade é o perturbar oscilante.

volto um dia destes,

Luísa Demétrio Raposo

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A vogal, a murada que de seca os meus suicídios e de todos os moratos que afoguei e que continua a ser o sítio onde me sento para a continuar a escrever.

o o sangue em um molde grotesco. A curva em fusão repercutida nos ecos da carne. O instinto segreda de entre as brechas para a carne invisível. O sexo. Abro-o, no lado de dentro na haste orgânica na morada, no falo que se aparca se à encosta húmida do texto.
Calo-me. Murmurante.
O decerto é o cio viajante que absorve e alimenta todas as narrativas extenuadas em poesias, o regato largo. Nela, cabe o pénis, sozinho, o lóbulo, o golpe incessante onde a corrente exilada das artérias defrontam-se com os redemoinhos escoriados de um coito.
O meu último habitante é o diário onde escondo a língua e todo o pensar que nasso a meio. Dentro do ventre as palavras enlear-se-ão ao cair.

Decidi ficar neste monolugar onde alto se atolam todos os canos grossos de um orgasmo.
O inóspito ruir. A curva. O ruido por detrás das silhuetas. Intermináveis frentes.

 
Apedre, a peregrinação, a tinta inesgotável do iodo, a sia que sacrifica palavras mas que não corresponde ao som fundo do cílios e aboca e imagina o lado destro do corpo, o caule, o electrão, o jardim em fogo, um equiónio perímetro que na inabalável divergência golpeia e morre entre enigmáticas geometrias, quebrando o sangue em um molde grotesco. A curva em fusão repercutida nos ecos da carne. O instinto segreda de entre as brechas para a carne invisível. O sexo. Abro-o, no lado de dentro na haste orgânica na morada, no falo que se aparca se à encosta húmida do texto.

Calo-me. Murmurante.

 O decerto é o cio viajante que absorve e alimenta todas as narrativas extenuadas em poesias, o regato largo. Nela, cabe o pénis, sozinho, o lóbulo, o golpe incessante onde a corrente exilada das artérias defrontam-se com os redemoinhos escoriados de um coito.

 O meu último habitante é o diário onde escondo a língua e todo o pensar que nasso a meio. Dentro do ventre as palavras enlear-se-ão ao cair.

 

Decidi ficar neste monolugar onde alto se atolam todos os danos grossos de um orgasmo.

 

 

Luísa Demétrio Raposo, 22 de Janeiro 2014

sábado, 18 de janeiro de 2014

Nos textos que escrevo a interrogação é o branco inóspito na folha de papel que raramente me abandona.
Luisa Demétrio Raposo