terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

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  1. Chove. Báton e rouge, a era de o ter saído.
    A sombra original, toda a fisionomia inata dos anfíbios. O homem e um pénis em respiração conjunta. A abundância dificilmente explicável, onde vem bater o sol, colossal. A escultura que permite todos os pormenores gigantescos em abastada exibição quando a boca grande incarna selvagem, via um inchaço trazido que à voz amarga.

  1. A insipidez de viver só e contra as mãos que escrevem. Os outros entre o fogo e o meu sangue, a chacina. Litros de água.
    Amargurada pela insatisfação da ordem. Obrigada. A senhora gorda que aparenta ser calma. Os nomes barulhentos, a desculpa monstruosa e futurista, o hostil patriarcado.
    As mãos na boca ao longo da vida deformaram-me a carne, dilataram-na.
    Sabem, o ventre de uma fêmea é um local sagrado. O grande eclodir na garganta dera-me filhos e a natural ligação ao di
    vino. Tudo o resto mais se parece com um miado, lugares mudos entre a testa raspada, à falta de um único pentelho, uma anomalia de grupo, a vida inteira sob atenção, a compostura amável da água mineral. A cona indecifrável.
    Inevitavelmente, depois disto, eu só imagino frases expletivas, todo o ardor do inferno. O sexo quente em céu nublado, viril e decomposto, colocar fim a todos os ciclos admoestados. Cabelos em redor da vulva que encaracolavam.
    Ser, o animal. Escrever a quatro patas.
    Aumentar também a boca e as costelas contra o pelo entre as linhas fartas das presas, uma segunda mão. Há dentro de mim um novo desejo de destruir. Atar é um só movimento. O sentido inverso, ou um mundo subterrâneo, a ligação à natureza selvagem, Eu alma.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

ADVERTÊNCIA




Cuidai com o que vós leres por aqui, pois não encontrais nada em vosso benefício, somente alguns talheres, textos cansados e por refazer, e eu estou a ficar farta de ser denunciada  pela vossa desmesura que por mim não fora convidada.

É que eu estou a ficar cansada da dissolução e de repetir sempre os mesmo gestos entre o sal.

Estou cansada, a escuridão sempre à escuta de gritos e a meio da paisagem vincada, os vossos olhos oblíquos em desarrumação, a página a descoberto, e em aberto. Queimada.

E cada vez que alcanço o fundo introduzo nele a mão, volumes de água, e por detrás de cada par de calças, dependentemente do órgão desenvolvido ou invulnerável, existe sempre a mesma confusão. A falta de, a boca procurando conter as coisas que acontecem ao encalço da berma. O gotejar monossílabo, a energia, que, quanto mais salgada, mais despeitada fica.

2_ AMÂLA AMMAIA

  1. Nós, múltiplos, excessivas vozes.
    Eu, o dia que quebra, se formos a noite quando diriges calada, a balaustrada. A ponta do sangue que a morte anula.
    A língua, correspondente, quer, queria desenvoltura, a pele e o que se mistura ao beber da entrada. E tu só pensas, aquela desordem, atirar o sexo pelo teu.
    O dentro intolerável. O mesmo lugar em ti, a febre de quem sente tudo e assinala táctil, a pontualidade do ferro.
    As bocas de mãos dadas.

    É natural o que sinto, e o tudo o que sei aflorara em rasto espesso. Senti-a.
    Façamos nós, foder. O sexo de encontra a exterior. Incoctível e avassalador. Mutua posse, o incerta ao, decerto cair, invocar ou talvez não, à pouca gravidade da calçada em absoluta naturalidade, revela todas as coisas práticas que em hora de conflito e recíproco calor, roçagam fisionomias a extraforte.
Merchants of white meat, 1997, by Jan Saudek:

*photo Jan Saudek

in Amâla Ammaia

Há em tudo o que escrevo uma explosão. Há palavras onde é mais acentuada a escuridão, e em todas emanam paragens violentas, tal como sugere a ardência e a fome o exige, e eu só me alimento do que inflama e arde.
E sou eu, é tão evidente. Um texto. A massa brava, abrasa-mo pó, sublimando criaturas, animais, larga em fronte alta. Quatro patas, e as duas, pousadas.
Ah, o prazer liso, um caralho sem rugas, e ambos gostamos de, um tudo-nada, gemer, definir a contorno entre a mão livre e a carne encharcada, onde a baba se propaga, e o selvagem amanhã pelos golpes em abandono. Onde tudo cresce, pouco ou nada comum.


Jan Saudek:

photo Jan Saudek

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Um poema, um gaio, um relâmpago em papada. Um sem abrigo no fluído que ferra, e uiva. É língua em tensão delicada.
E no final? O poema é uma vulva onde nada se queima e tudo arde. A sepultura, era dos húmidos aromas que sempre é excluída à violência da autopsia.

[Celedonio Perellón]; Jan Saudek - 1998 - Catawiki:

*photo Jan Saudek

O menstruar pertence à Lua, ao útero, atmosfera amniótica onde eu boiara, local de aparições onde o escuro e a eminência ressuscitam em lava.
A multidão entre as pernas, um astro, exibição, o protestar.
O sangue ostensivo, numa cama grande de casal expressa; a noite, o efeito grosso. (novo livro a trabalhar)
Lua Cheia é responsabilidade, o factor, ser mulher. E fiel sob a oração, o ventre alma, um lobo. Uivar.Jan Saudek-  Sus fotografías en blanco y negro (las cuales empezó a colorear a mano en 1977) son de un erotismo grotesco e inquietante.:



photo Jan Saudek

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

AMALA AMAIA


                                                                


                                                             AMALA AMAIA
                                                    [puesía pronunciada por um pénis]

Anda-se, anda-se, anda-se e isso faz com que a carne aumente, inche e rebente. E eu e os pensamentos somos tantos e tão grandes que começam a rasgar-me a carne. É isso, não tenho muito mais a dizer. As minhas recordações, inúmeras e tão distantes das páginas que não escrevi e precisavam ver o quanto elas gritam entre o sexo.    Quero ser infinitamente um astro. O sol. Quero esconde-lo primeiro na boca depois entre os seios alcatroando-o até ao ultimo empurrão e penso. Voltar a esconde-lo a meio lodo, entre o que geme nas coxas, fornicar em desespero, fornicar com força e sem ponta de vergonha, fornicar até ao ultimo empurrão em que o esperma explode e pensar, raia estrangulando por continuo, o slip, o corpo após corpo a oferecer guarida à seiva franca, nadando-lhe ao ouvido, na dupla que os dedos  anseiam. O sangue irrequieto e contínuo, imparável por detrás da porta. A rua.                             Pulsar. 
  A carne entre a tempestade em relâmpagos. Colados à testa, uma metade contra a outra. A mão demorada por todo o lado, e entre as cordas vocais a palavra é divina e a disponibilidade sexual é descobrir jóias, virgulas e o ponto final, continuar a esboroar. O peso atormentado. Grave habitual. O tudo em tudo em quantidades e assimetrias onde é mais acentuada a escuridão e em todas as nádegas emanam paragens violentas, subtraindo ao meu ser, tal como sugere a ardência e a fome o exige, e eu só me alimento do que inflama e arde no inferno. Ah, o inferno, ambos gostamos de gemer entre a carne encharcada onde a baba se propaga e escorre, alimento selvagem do amanhã onde tudo cresce, pouco ou nada comum. 
 A inocência está toda no sexo, o sol, a estrela caída que ilumina a realidade em cruéis deslaces, na grácil que a puesía simples descanta. O seio, acre e austero, lapela com vista ao pôr-do-sol. Nuvens a horizonte. 
O caralho, um trovão. O nome, não se diz. Entre as duas a boca dilui. As labaredas, o encarnado em apertadas margaridas.
    Lábios na chiclete. Dúzias de bocas furiosas, grunhidos, guinchos. O ruído que saí pelo nariz. Um naufrágio. A luz atira-me à janela. O sol a morar-lhe entre os pentelhos. A ideia anarquista de fugir para o meio do amarelo. A boca, dos lábios só, nome de raça. A poça por todo o lado agarra-se às mãos em massa.
   O  coração ocupa-me quase na totalidade a carne. O corpo paralelo ao prazer, grande, essência que ergue com precisão elevado em desespero o céu. 
   Eu, um verbo possante a satisfazer junto aos dedos e em poderosa gula. Com fome, a pé. A língua cuja mão, a garra, em massa agressiva. A monstruosidade da água, cenário obsceno. E eu nunca antes tinha visto tanta água a mergulhar-me o polegar. A vulva não é obsessivamente só água. É sobretudo o corpo de uma mulher em busca de existência. E eu sou um instrumento de destruição maciça, tamanho o sexo que lhe sai pela boca.
Ópio. Lábios e ópio. O bicho escreve. O pássaro é de ferro. Mata a sede e sacia a fome. A constante, sobre e sob sexo as mãos tornam todo o inevitável, carne e sangue, o desatino de milhares de milhões afluentes, o pensamento passa à metamorfose. O prepúcio grande e deserto que a palavra despe integralmente, a rendição total do que rebenta à boca do útero e interruptamente, existe, coexiste com a subsistência e todo o ar dos pulmões. Do outro lado, assombra preta que desrata implacável os intermináveis e pormenorizados actos, o respirar do tudo em tudo, quantidades e assimetrias. A fuga que a velocidade destrói. Amalgama, a terra é um septo obediente a par da inteiração, com naturalidade porque o excerto da carne é inteiro. A imensidão, gentileza perigosa, algramassa, cabeça e a testa. Ideia soberba, a mão cheia de imagens e por colinas, o sexo nu, a mossa que fermenta delicadamente, a brusquidão parcelar de copula. 
Lamber nos mamilos e a parte de trás, orifício fronteiro, descarregar fúria, sacudi-la com força, dando caça a tudo o que aparecesse, o recto.

A boca, intimei-a: aumenta, e a mente alarga a corrente, a coisa senis e por mimese bate e  rincha, e a coronal desembesta o reverso atormentado. E vinha, como se fosse só nela. Em empa e em duplo perfil, adulta, a foda, atenta às fúrias porque desde que os ossos das mãos perderam a carne, dispenso luvas, vomito na cama. 

E no final? Nada se queima e tudo arde, a garganta cerca fazendo vénia, e era gorda a sepultura, o uivo, a era dos húmidos aromas que sempre é excluída à violência da autopsia.
   
   O mundo deveria ser a eterna copula, 
resolveríamos todas as distancias e a vivência entre o que se vive no sangue eriçado, se decidíssemos passar somente a foder, em desespero do céu, da boca, fora e dentro, por todo o lado o dia inteiro, e dizer não a um esgoto que jamais será saciado.
   
   O corpo a subir um outro corpo a partir dos pés.  O sexo, a martelada e só um rápido arranca violentas confrontações que contemplam o profundo, e que, me são instintivas por natureza. A normalidade é uma masmorra, sei-o agora. É necessário esquecer o rosário, a aparência, porque o pénis é um mamífero, alimenta-se  duro no escuro, de escrito grosso contra o útero, oculta e diante da boca, beijam-ma. E não é folclore, é luta, é resistência.
  
  Um homem urina em pé contra a parede. Urina contra e de encontra as latrinas provocando um derramamento, a transmissão de tinta e outros pigmentos aonde pertence, e está escondida a grande dimensão em jaula.    As calças de um homem entre a multidão são um rapto, e vai-se lá saber, a coisa está viva. Hirta. E eis por detrás o animal. A captura. Agora, imagina-o, a desempenhar o papel de Deus sobre
o instinto. A lamber na vulva gotículas viscosas feitas à mão. A nadar em novidade e a coberto pelas ondas que marinham a lama que do ventre escorre. A fornicar de entre a tinta implacável que desrata interminável o pássaro em acto. A fornicar entre as axilas o ópio. Alma em fogo, o sangue de poeta, verdejantes campos verdes em chamas. A tormenta e  milhares de milhões de criaturas que me são invisíveis, a biologia em zona calva praguejando em albugínea.                                        
  Um pénis deve cravar-se sempre onde há uma agonia, e enterra-lo e deixa-lo lá a demolir sem ininterrupção, a espancar a romper trilho entre os astros, já que no extremo acha-se o universo e no outro a terra, deve morrer dentro e rezar fora.

Luísa Demétrio Raposo
Fortios, 27 de Setembro 2016.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

A liberdade do foda-se impresso à cortesia de um texto(essa ferramenta) inicia-se sempre tão calmamente. Paz. Depois, vem a opressão em matilha independentemente do que opila a pila, ou do que uma vulva cobiça à fissura da porta. A tormenta atormentada, a gramatica em pose clandestina numa mão bem segura. Então, contagia-se uma única palavra que se repete todas as vezes que calca a pena à terra. E precisam ver o quanto ela grita enquanto a procuramos e a forçamos entre os dois fechos redondos, um cheio indomável, indomável, indomável. E ela, demorada, a, apressar-se, apressar-se, apressar-se, fazendo com que o tudo inche rebente ou dilate.

luísa demétrio raposo

No cardápio, um prato de tripas. Merda. Merda. Nas bermas do escarro há pessoas que perturbam, o nome da raça.
Todos os relógios são horários de merda, horas e horas de merda, reunidos para manter a violência da merda, à qual a existência obriga-me a agarra-la com duas mãos.
O mundo deveria ser a eterna cópula, resolveríamos todas as distancias e a vivência entre o sexo que vive de sangue eriçado, se decidíssemos passar somente a foder, em desespero do céu, da boca, fora e dentro, por todo o lado o dia inteiro, e dizer não a um esgoto que jamais será saciado.


Luísa Demétrio Raposo

quarta-feira, 13 de abril de 2016

álea


A carne a essência elevada que ergue a precisão em desespero do céu. O sexo, o deus paralelo ao prazer, um verbo possante. O corpo após corpo a oferecer guarida ao coito. A seiva franca nada-lhe ao ouvido na dupla que os dedos anseiam. Um pénis, Astro. Quero esconde-lo, primeiro na boca, depois entre os seios, esconde-lo a meio lodo e fornicar em desespero, com força e sem ponta de vergonha, alcatroando-o até ao ultimo empurrão em que a imagem eclode e a sombra cheia enegrece inteiramente os pentelhos desgrenhados.
Luísa Demétrio Raposo
in pássaros de ferro


terça-feira, 12 de abril de 2016

soçobrar

Ela,
a vulva e cujo nome normalmente é interdito, o sexo acontece a todos os instantes constantemente ao gotejar a monstruosidade da água em cenário obsceno. E eu nunca antes tinha visto tanta água a mergulhar nos polegares, e não é obsessivamente só água. É sobretudo um lacre em fuga ao fosso onde o desequilíbrio arde, arde, arde e por vezes ama até sangrar.
Um pénis na abertura é sempre um perigo tamanho o sexo que lhe sai pela boca, a tormenta em milhares de milhões de cr
iaturas que me são invisíveis. A biologia a percorrer as zonas calvas e que voltam a desaparecer e que pragueja em albugíneas entre as virilhas, essas grandes palavras em chamas que sôfrega e salgada, a língua de escrita aperta contra estreito, em gula.


Luísa Demétrio Raposo
in pássaros de ferro



*photo by James Wigger

domingo, 10 de abril de 2016

pássaros de ferro

A inocência está toda no sexo, o sol, a estrela caída que ilumina a realidade em cruéis deslaces, na grácil que a poesia simples descanta. A vulva, acre e austera, apenas uma janela com vista ao pôr-do-sol. Nuvens a horizonte. O sexo, um trovão. O nome, não se diz. Entre as duas, longas ancas, cuja boca se dilui nas labaredas do longo vestido encarnado, em apertadas margaridas.

Luísa Demétrio Raposo
in pássaros de ferro


sexta-feira, 8 de abril de 2016

"Um pénis deve cravar-se sempre onde há uma agonia, e enterra-lo e deixa-lo lá a demolir sem ininterrupção, a espancar a romper trilho entre os astros, já que no extremo acha-se o universo e no outro a terra, deve morrer dentro e rezar fora."



Luísa Demétrio Raposo








"O clitóris, o astro, um pénis, sinónimo de interminável até mesmo para o próprio sexo. A carne sacerdotisa perpendicular à tempestade incerta e descalça do fogo, ele é o grande xamã, a homenagem à terra, o poema orgânico cujo sangue pulsa e repulsa unificando o ritmo ao cosmo. "

Luísa Demétrio Raposo




quinta-feira, 7 de abril de 2016

O Livro da Papoula


A editora Livros de Ontem tem o prazer de lhe apresentar O livro da Papoula, o sexto livro da autora Luísa Demétrio Raposo.

(…) A papoula é a memória erógena aonde se revela recôndita a intimidade em tudo o que se une além corpo e só é distinguível na exaltação que se sente através de desequilíbrios dispersos onde o meu e teu infinito acontecem, e de onde se erguem internas as carnes libidinosas e as curvas dilatam o sangue vermelho e, crua mente, desatam a visão que pulsa convertendo a vulva em um só clarão… lá aonde o pénis é grande, forte e duro e na estridência indefinível de um rude luar, morre ao exprimir-se bem a meio das pernas e na mais agraz e abrasadora narração, o sémen.(…)

Livros de Ontem tem o prazer de o convidar a participar na publicação desta obra através do seu contributo que, neste caso, funciona como uma pré-compra do livro e lhe dá acesso a ofertas únicas e exclusivas como a inclusão do seu nome impresso nos agradecimentos

Para mais informações e saber como pode  contribuir para a publicação desta obra, no link,
http://ppl.com.pt/pt/livros-de-ontem/livro-da-papoula



NOTA: O livro terá o valor de 10€ durante a campanha de crowdfunding e de 12€ após o fecho da mesma.
Escolha o pacote de recompensas que desejar e descubra todas as ofertas exclusivas que temos para si!

1ª edição limitada a 200 exemplares
Todos os exemplares são numerados e assinados.

*Ao publicar os seus livros através de Crowdpublishing, a Livros de Ontem tem a oportunidade de apostar em novos autores, de arriscar novos conceitos e desafios, de melhorar a qualidade das suas leituras e de remunerar melhor o trabalho dos escritores.
Assim, a Livros de Ontem não faz qualquer lucro directo das suas campanhas de Crowdpublishing. Todos os fundos angariados são destinados à produção dos livros e à melhoria da sustentabilidade da nossa operação.

Obrigado por fazer parte deste processo e nos ajudar a melhorar a publicação de livros em Portugal.

terça-feira, 29 de março de 2016

O sol raia estrangulando por contínuo

O slip,
corpo após corpo a oferecer guarida à seiva franca nadando-lhe ao ouvido na dupla que os dedos anseiam.


Luísa Demétrio Raposo
...
*Passage XXIX - H. R. Giger (1973)

pássaro em acto

O homem urina em pé contra a parede. Urina contra e de encontra as latrinas provocando um derramamento, a transmissão de tinta e outros pigmentos aonde pertence, e está escondida a grande dimensão em jaula.
As calças de um homem entre a multidão são um rapto, e vai-se lá saber, a coisa está viva. Hirta. E eis por detrás o animal. A captura. Agora, imagina-o, a desempenhar o papel de Deus sobre o instinto. A lamber na vulva gotículas viscosas feitas à mão. A nadar em novidad
e e a coberto pelas ondas que marinham a lama que do ventre escorre. A fornicar de entre a tinta implacável que desrata interminável pássaro em acto, o tudo em tudo em quantidades e assimetrias. A fornicar entre as axilas o ópio, verdejantes campos verdes em chamas, a tormenta e milhares de milhões de criaturas que me são invisíveis, a biologia em zona calva praguejando em albugínea.


Luísa Demétrio Raposo


O Livro da Papoula

Venho convidar-vos a todos a colaborarem no apoio à publicação do meu sexto livro, O livro da Papoula. A vossa participação no processo de criação é também uma forma de o adquirirem antecipadamente e a um preço mais atrativo. Há recompensas para todos os tipos de apoio. Mais informações e qualquer esclarecimento em http://ppl.com.pt/pt/livros-de-ontem/livro-da-papoula

quarta-feira, 16 de março de 2016

Os cheiros. Os aromas e eu, a sentir-lhe o olhar, o fulgor a palpar o que órgão quente em calças justas desenha, mergulhando nele o sexo pornógrafo.

Lábios na chiclete. Dúzias de bocas furiosas, grunhidos, guinchos. O ruído que saí pelo nariz. Um naufrágio. A luz atira-me à janela. O sol a morar-me entre os cabelos. A ideia anarquista de fugir para o meio do amarelo. A boca, dos lábios só, nome de raça. A poça por todo o lado às mãos agarra-se em massa. Depois de terminar, paguei a conta, agradeci à empregada. Na rua espera-me ela desperta. Quero esconde-la, desejo-a primeiro na boca, depois entre os seios até ao último empurrão em cenário obsceno. E eu nunca antes tinha visto tanta água para mergulhar os polegares, um rio, e um rio não é obsessivamente só água. É sobretudo o corpo em brusco poema, tamanho o sexo que lhe sai pela boca.


Luísa Demétrio Raposo

terça-feira, 15 de março de 2016

++

O escarlate, ciclone, a viagem. Úvida tempestade. Imaculado astro. A inocência ao sol. Carmíneos lábios em apelo estro, a estrela grácil, que a poesia simples descanta. Atmosfera em brasa. Pulcro espaço que o recôndito dilui à mão sequiosa...


*foto by Billy Kidd

domingo, 14 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

orçando



Mastro Pai que te aprofundas inspirando em mim para dentro sempre o sangue corrente agarrado a: trespassas a camuflagem; pétala ardente que circulam louca por mim sussurrando; a noite tem vibrações na escarpada passagem oblíqua; em torno a; vulva negra fechada na tua mão salgada que absorves nas minhas artérias pulsantes; enxames de ânus e tesão escoam-se em ti com um caudal que transborda a ventre forte que respira no buraco e come os enxameados lagos em ti; os sangues turbilhonam misturando-se entre o meu e o teu cais transparente na nua mão que se movimenta por inteiro em mim maciçamente; aprofundar do teu cume na forma lavrada raiando a membrana no espelho vivo e leonino que é Astro Mãe na boca pura onde o tesão começa; a pele treme; a mesma coisa onde impensadamente brilha a tua voz rouca dentro dos anais da minha carne nocturna perna a perna boca a boca língua a língua apontas a ponta do poro em poro no animal que é inocente metáfora e eu Astro Mãe tu Mastro Pai que nos aprofundamos ambos no sangue corrente em nós exalado a; percorrendo plumagens em viagens dementes e circulares misturadas na noite alargada do sexo penetrante que crepita sussurros em anestesias de descobertas no hálito divagante onde Deus regressa à limpidez dos furos naturais completamente ardidos em torno dos raios e dos tesões por nós expelidos no único vulcão que se lavra a pulso nos genitais que se movimenta por inteiro em nós dentro de poro em poro boca na tua na minha boca um mamilo que se esvai na tua garganta; Mastro Pai onde a minha noite se torna humana nas caverna transbordantes onde bate o sexo no branco que lambe o mundo em retorna da vida em fluidos que rosnam; bem estar abrasa-mo oculto na veia louca da minha escrita; no escuro rebentaram atmosferas orgulhosas gulosas em jubilação das multiplicações que prodigiosamente se fundiram no Mastro Astro Deus!

Luísa Demétrio Raposo
in Nymphea

*Viktor Ivanovsky foto

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Para a mulher que se torna proibido escrever sobre e sob sexo as mãos tornam-se todo o inevitável, carne e sangue o desatino de milhares de milhões afluentes. O lamaçal deita-vos ao charco incandescente, à exuberância do escarlate em cena, à cova peregrina, pequeno quarto em toda a oposição culpada. O pensamento passa à metamorfose, o continuar, prepúcio grande e deserto que a palavra despe à aparência ficando entre ela integralmente nua na rendição total do que lhe rebenta à boca do útero.


Luísa Demétrio Raposo,
in O Livro das Sombras


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

expostos às mãos o cio ucha e o fogo relincha

escrevo e de forma predatória e sem atender a permissões ou entregas, sobre o sair prestes a explodir para o despedaçar a encontro da última respiração onde o parapeito me pertence na revolução de um manómetro arregaçado
na forja de milhares de milhões de pulsares que se unem os deuses às curvas que vivem a expressão do astro que endurece a parte engelhada sob o traçado rente aonde sinto um tição e a exaltação é tal como eu carcere entre quadris.





Luísa Demétrio Raposo

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A escrita é língua em estado líquido que pelas páginas, superlativa e poderosamente exibe o sexo indistinto, mas que sente e pensa inquieto como o da gente. Quando pressente o olho assente, amadurece e encurva a leitura para nos foder desalmadamente.


Luísa Demétrio Raposo

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Dizem-me que o que escrevo é intenso, tumultuoso. Se eu conseguisse transcrever por palavras esta coisa que se transforma em escrita, saberiam verdadeiramente o que é uma tempestade.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

in O Livro da Sombra

A morte de escrita é interminável, atmosfera submersa, o lugar onde jaz o corpo e não onde adormece a lápide e as flores ressurgem atentas por cima. Não. Morte é celebração onde o plural é deus e ressuscita aterrado em lava, no assombrar profundo do sexo, a floresta.
A vida escrita, local de aparições e do desaguar onde morrem ingénuos os mitos na esfera, montanha atrás de montanha entre as degelas sobrenaturais, a curta-metragem.
A criação pertence ao morto.
Só, o barulho
e a multidão e as horas ressoam o terror do tempo e é isso que me reduz ao nada.

Luísa Demétrio Raposo

** o livro das sombras

Preciso rever a minha inutilidade no mundo, já que a língua onde escrevo diluiu-me os bocados até à raiz e ao anonimato. É normal, a orfandade não tem lugar nem pátria. Escrever esmaga tudo em função do obsessivo e do insuportável. O fogo, lentamente executa tudo à nossa volta. Resta-nos um corpo à deriva e um forte delírio imerso na sua própria solidão.


Luísa Demétrio Raposo

*in O Livro da Papoila

O sexo é onde se desmoronam os astros e as estrelas sangram de entre a escuridão. É berço do fogo e todas as outras coisas instáveis e secretas.


Luísa Demétrio Raposo

II______________O Livro das Sombras___________________/

Escrevo para poder desaparecer no raiado do negro e líquido da tinta. Escrevo porque me é insuportável a multidão e todas as coisas sem alma e que se assomam de forma extenuante. Escrevo porque as leis do homem não são as do ser, são um cativeiro e a mulher que existe dentro de mim não é domesticável. Eu não pertenço. O verbo pertencer é um animal carnívoro e eu não. Sou comparável ao sangue indomável que percorre selvagem e fermenta as veias e os veios em absoluta liberdade, na mais profunda solidão, na forma mais insuportável de ser, não porque eu o deseje mas porque assim é a germinação e a minha natureza.


Luísa Demétrio Raposo

in O Livro das Sombras

Estou só.
Entre a cortina dos dias e a fábula das horas e das casas, dos campos e dos astros, e eu de mãos ocupadas sinto-me cansada, sinto-me exausta. A respiração ferve na cabeça submersa. O sangue adulto ao largo da gramática. A meio da frase a boca em digestão e sobre a mesa onde escrever de forma violenta consome até à extinção.
Os textos são um veneno, maldade, porque tudo o que se escreve não passa de um deitar fora, e tudo o que se lê são restos de pancadas. Não po
ssuem um único rosto, tão só e apenas a língua solta e que de forma impune em torno dos dedos levando-os ao abismo, a universos dissolvidos que em soberania invadem entre a necrologia ameaçadora da língua em contínua erosão.



Luísa Demétrio Raposo
* O Livro das Sombras

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

* in O Livro da Papoila

Largas as linhas e as esferas ardem, sangram, os pensamentos dentro do que eu sou imitando a agitação que ao cativeiro irrompe.
Eu, a grande paisagem. A lua. Um estado selvagem. Um terramoto libertando-se de tudo o que não é alma.



Luísa Demétrio Raposo

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A fuga não pode ser da escrita um resultado




Tenho a escrita e a escrita é o meu único corpo, um corpo pleno em alacridade, do escarlate ao ruir fundo que humedece e entorna palavras no mundo num recamar de paginas e que sem o saber, é o sepulcro onde no abaçanado eu sou, a rebeldia exposta à assimetria.

Luísa Demétrio Raposo

**foto. Joel-Peter Witkin





sábado, 28 de novembro de 2015

Jardim Separado

As palavras são ópio, o cavalo que consome a foz, a bigorna,
o assédio onde se amolda toda a minha farra, aquela guerreira
que salta das palavras e as oxida na excitação do sexo
numérico.
A minha liberdade é a orgia, a luxuria, a alma e ambas
caçam- me entre os seus ganchos orgásticos e por mais que
eu fuja o orgasmo é o cavaleiro que percorre todos os meus
matos.
A fantasia humana na imersão do erotismo, o desassossego,
a raiz e o ventre: a insónia placenta o meu abandono a toda
a gruta onde me vou fechando, um delírio híbrido onde se
desintegram e atraem os ambos vórtices.
Portas submersas, as carnes gorjeiam, redondas, curvilíneas,
serpenteiam abismos em cada um dos tesões. O som agarra
a flecha pelo ânus, o pénis rijo que quebra o voo e geme
dentro dele corrompendo- se na música que ferve, suando a
procura das bocas que se alimentam dos pedaços de som, a
árvores dos relâmpagos.

Luísa Demétrio Raposo


in O jardim Separado, 2013


foto * Jan Saudek






quarta-feira, 18 de novembro de 2015

O Jardim Separado {em reedição

No jardim separado as carnes nos ulmos das seivas faíscam, correm contra os bosques, contra a febre monstruosa, a que lavra íntima, o foder, que referve o meu desnudo sentir. Os actos abismam-se de dentro do seu próprio cheio maiúsculo, as carnes trémulas o libertam à espera de palato, da língua, da boca atenta, sugam-se as carnes ora pelas costas ora pela ponta dos orifícios e lambem-se os alvoroços abertamente escuros na defloração das inúmeras bocas que um corpo feminino possui.


Possuem extinção, as curvas que afastam e deflagram fogo, alastrando-o para lá o limite que desequilibra a ordem viva do sangue, agarram-se vivas. Entre o gozo. Entre a flora ininterrupta das larvas lanhas em eclosão. A dor serpente percorre dentro da lagoa negra, estrangulando a carne, desabotoando todos os sítios nus, arrancados ao odor intimo, em declive onde o amargo se despenha e inclina, o mesmo amargo onde as vírgulas imergem na desfloração das inúmeras bocas que um corpo feminino possui.



Luísa Demétrio Raposo




quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Amai-a, plaga íntimo o orvalho e em toda a fissura purifica-se a retesa e a região engrandece-a violentamente para conceber à anarquia o aço.
Tudo explode em oblação e é rara a ânsia que só por excreção se atreve entre o rápido que se liberta e onde se abre cerúla a flor imaculada da qual sinto gémea irmandade e que em coroação extravasa réplicas em listrados laivos entre nénias cetinosas que ao rasgo exige ardência e o laquear súbito dos fluídos, a devora floresce.



Luísa Demétrio Raposo
in O Livro da Papoila

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

acerca do abominável dia mundial do escritor.

Um escritor não é uma vedeta, e escrita é outra coisa completamente diferente. O escritor não tem dias definidos, nem horas. Escrever é uma vocação. Um sacerdócio, e nada tem a ver com poses engalanadas nem com o nobiliárquico e de certas merdas de quem não sabe construir sombras, porque a escrita requer muito sacrifício e dedicação por inteiro, e para se ser escritor não basta só parecê-lo, tem que se ser, e isso é muito difícil, custa muito porque um verdadeiro escritor jamais se vende ao sistema, um sistema corrupto e medíocre que só se preocupa com o mercado (dinheiro vivo), um sistema merdoso onde as grandes editoras são o maior inimigo da arte da escrita, são elas as únicas responsáveis pela prostituição, sim porque não se pode chamar outra coisa num mundo que se fala de “literatura”.
Um escritor jamais teme outro escritor. E quando isso acontece é de ir ao vómito tanta mediocridade.
Há ainda que falar nos badalados prémios literários, que deveriam ser extintos do sistema. São uma aberração, prejudicam a literatura e só servem para criar “ninhos” e dar continuidade a séquitos “editoriais” e “caganeiras”.
Escrita é muito subjetiva e é impossível de dizer que este é melhor que aquele. É uma treta que só serve para alimentar elites, e o escritor não precisa dessas merdas, precisa é que acima de tudo que o respeitem. Infelizmente existe uma tremenda falta de respeito pela arte e por quem a exerce.



Luísa Demétrio Raposo
* 14 de Outubro 2015

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

liberação


 
 
 

 

 

Rende-se o que pela mão passa rápido a gritar, lá aonde deus vive endireitado e é interminável entre, e que pinga e enche os dedos acima uns dos outros, dedo a dedo, a fim de subtrair a água mamífera que desce onde sinto rórido o sexo e onde o tempo responde ao corpo veemente, e tal e qual como acontece dentro na terra, o amor liga-se ao sangue e à semente.


 

 

 

 
Luísa Demétrio Raposo


*foto Yung Cheng Lin

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

xxx

A pimenta é a concubina que aquece o sangue ao genital sultão. Eruca entre caricias na orla de Vénus. Cheira a desempenho sexual. Cheira ao sexo que fornica e decapita. Cheira frondosa e húmida entre a erecta submersa, devassa.

Luísa Demétrio Raposo

* foto retirada ao Google, desconheço autor.



terça-feira, 6 de outubro de 2015

a terra


 Deus a sombra, o astro que endurece a parte engelhada sob o traçado rente. Em tempo quente, o nascer que irmana cativo, o sémen, que do chão rasga histrião ao meio-dia. O rebento alarga-se, ao toque, quando acariciado em carne mutua. Não é uma união, é a devassa ardendo embravecida entre o domínio das interrogações que correspondem ao escancarar. A curva ofegante. A ambição de posse orla a tempestade que o cio intérmino semeia. Na respiração. O sangue em bosque a emergir, impresso e rumorejante, liga haste à seiva, inclinando o sexo faminto ao lumaréu, e do quase nada se despe quase tudo.
 
Luísa Demétrio Raposo
 
* foto retidada ao Google, desconheço autor

terça-feira, 29 de setembro de 2015

ao fundo do tronco,

"O mênstruo é a aparição do vermelho hemorragia que se empurra para a frente e sem receio de nenhuma derrota. Sangrar confunde o vime dos homens e o seu poder, que debruçado pondera o anunciar e largas cavalgadas ou em independência sangrar consigo - diz o esperma à mão entornada."


Luísa Demétrio Raposo


*foto, desconheço autor


 

a erecção primária


"Escrever com o olho virado pró sol e prós astros todos os outros escrevem. Na indigência escreve-se para um escuro infindável e quente a contorno da carne improvável.
 Eu escrevo explicitamente e com o sexo e de baixo para cima e dentro do olho e com escrita."
 

Luísa Demétrio Raposo

* retirado de "O Livro do Sexo Erecto"

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

oração.


Tudo o que é imenso pertencem-me em geometria. E é meu e abrasa em sequências rápidas, proporcional à fulminação que encerra, sendo o máximo responsável por todos os afetos em que eu desapareço.
Luísa Demétrio Raposo

conversa com deus


 
Tenho o sexo nas mãos e tenho-o na língua. É boca e tal como todas as bocas é canibal, mas não capturável e toda a imaginação sobre e sob, ascende e o eclodir far-se-á sempre. É rebeldia exposta à assimetria e existe em simultâneo ao excesso que por vezes coincide com os rituais. Aos espécimes que do sepulcro lambiscam palavras, façam o favor de retirar o patrão e o padrão do cimo dos meus textos.
Grata
 
Luísa Demétrio Raposo
 
* foto desconheço autor.
 


 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

ORAÇÃO IX




Quero o que não vem na pele, um par de sombras no auge engomadas no silêncio dos pentelhos onde o cio entra e ausculta em chão delirante, onde afloram os sentidos e a escuridão perfura fossa o orifício a contorno da leitura que desata da imagem, e fecha-o numa só cunhada na carne que alisa para lá do ânus onde o precipício sepulta nas catacumbas o que espanca e solta na carne encostando ao intestino o orgasmo, o único Deus que sempre aparece descalço, e é no seu aparecimento que eu desapareço e só se pode desaparecer após o antes que foi ejaculado.


Luísa Demétrio Raposo





*foto Mercurial Ramblings
 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

III

Em escrita é preciso explodir em decurso a caligrafia que narra pela página o órgão empunhado que emerge íngreme lá ao fundo, e tanto pode ser másculo ou feminil, dentro das mãos do escritor tudo é andrógeno. A escrita surge sempre do deserto, do coito entre as centenas de diálogos que guerreiam lado a lado a primitividade que ao respirar arranca vertigens aos genitais, e juntamente ao corpo escrevem.


Luísa Demétrio Raposo

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Ode à diplomacia


O que eu escrevo fode por inteiro o deus vosso. A escrita é um esperma contínuo e que nunca se me acabe esta copula e tudo é ejaculação e sobe ao alto vogante, se vai e vêm, na saliência vulnerável do bolço veemente da metáfora maiúscula, em queda violenta e que trás com ela a encastoada em galope, a lisa excitação, o estar. Quanto mais difusa é a viagem mais corta a navalha e o desejo obstinado em ser complexas e sinuosas iminências por conceber a pensante o foder, a desordem que se alterna consoante tudo o que se assombra a meio. Eu sou isto, completamente alheia à vossa exaustão e à vossa inercia, supero todos os escrivãs apenas em carne, ficando por isso difícil para vossas iminências encarnar-me e entendei que eu não vos pertenço, eu nunca vos pertencerei, quer aceitem ou não a minha passagem. Eu desapareço e vocês voltam ao nada.


Luísa Demétrio Raposo
* Fortios, Setembro 2015

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

VIII



Mijar.

Ímpio sulco mutilando o amplo sifilítico que anódina e busca-a pária ao desalinho e expande-se à estridência do que enforca ardina a poça, despenhando-se entre as pernas, alavanca o fluido subterrâneo equivalente a um alquebrado sémen.

Luísa Demétrio Raposo

VII



Aroma nos pentelhos arqueia bravo o negro e em toda a água que se lambuça aos apossados. Há o toque. Alonga-se em tradição a ponta escarlate em desenvolvimento próprio. O percurso ritma os quadris entre o lanço cru e viaja. O sacro é um cenário inclinado entre, em sítios explícitos explorando extenso o excesso exposto. O ânus forma entre as formas e forma-se lívido ajoelhando-se sobre o que se precipita. Há carne. O todo de todo o coartado entre o aperto fluido onde o tap...ume e a passagem investe toda a sua extensão. A ponta da pontaria é a sempre para o alto e do alto para a abundancia alta, e entre a boca ao alto e o sexo não existem intervalos, somente empurra e tudo ao alto imagina funduras entre e expele-se a travessia sobre excitação e deita-se a iris ao que fica estendido.

Luísa Demétrio Raposo

* 2014

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Ammaia

As mãos rente ao órgão molhado. Olho grande, o fogo, pupila e ergue-se ao sítio. Entre os dedos a letra e o braço encobertos pelo escuro.
Escrevendo sem direção ou ornamentação
Escrever, sobretudo porque eu prescindo do séquito, mas jamais de sexo.




Luisa Demétrio Raposo
Agosto. 2015. Fortios

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Afogo-me todos os dias, todos os dias o mesmo suicídio, por vezes mais que uma vez. A morte, sempre ali, aqui, além, e a escrita comendo-me as noites, a carne, e o tempo.

ldr
Deveria incendiar a solidão, mas dispenso atenções e é completamente inútil em uso próprio renunciar-me. A escrita é um ser em fuga que pela aorta rasga o coração do bombear.


ldr
Escrevo palavras que despedaçam ou que mostram o sexo em texto. Algumas são genitais outras são a língua quando se arrasta.
Não obedeço a recintos nem a padrão algum. Eu tenho o meu próprio rasgo e tal e qual o ruído do sémen, um intenso ruir, o palavrão e pluviosa metáfora no eclodir de um grito durante a travessia náutica no som alagado dos orifícios em marcha. O interdito que desarruma entornando marginais os uivos a fim de gladiar em derrocada.
Ao fundo da página a curva estreita-se e dilata. Não é literatura, nem tão-somente alguma forma de escrita. Isto é simplesmente a arquitetura da prosa.



Luísa Demétrio Raposo
*Fortios, Agosto, 2015

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Amaia numero um

Os corpos em chamas movem astros para conceber luz. Do coração, outro cresce e entornam-se debaixo da carnagem. O vermelho atravessa-os. A floração acende, a vibração a abertura. O Sol exala e solta a Lua, o quadril forte e largo na mulher, um porto alegre. A terra alta. O ventre é uma fonte insaciável, lá onde os astros e os sexos ganham aura e águas, ao longo de intensos batimentos másculos parados e unidos ao longo de intensos batimentos feminis em oração, e se manifestam aos corações, quando o corpo uno ao universo se reproduz na magnificência em orgasmo.

Luísa Demétrio Raposo

* foto Egon Schiele

domingo, 2 de agosto de 2015

LP

«Trilho e esperma, à queima-roupa são anúncio da mesma coisa. Independentemente da geografia, da pulsação, da entranha, da mão mercenária que agarra e o desnuda erguendo-lhe o prepúcio fazendo-o deslizar entre os dedos; encontre a mão aperta-o desavergonhadamente entre a apreensão e a tentação fascinada que antecipa. Constelar embranquece os gestos que se movem arrastando cegamente todos os lugares rapidamente. A boca suga-o a seguir e de forma predatória e sem atender a permissões ou entregas. Sob o sair prestes a explodir, degrau a degrau, há um fenómeno que se unifica para despedaçar o encontro em químicos, as unidades da última respiração.
E o cume, completamente destruído pelo exibicionismo na boca larga, calçada pelas elevações másculas onde penso, um parapeito em chamas, e por onde a garganta vitrina o escorregadio deglutir das transparências, transviando a origem em tempestade aconchegante e, no gosto estala-se-me em absoluto.
 O relato rosto a baixo exaltado fica a gravar. O movimento depois de atravessar inúmeras vezes, o avesso, o sangue solto, o hálito e o pensamento ainda pertence à montanha sem punhos de cabelo. Um coldre arregaçado. E eu, dentro dele, a revolução onde um manómetro entornou extremamente húmida a sua área total entre o gatilho encarregado.»


Fortios 1.40 em.

Luísa Demétrio Raposo

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Alentejo. A brasa. Ir. Ser em cada flor, a aberta. Em cada uma delas, inquieta, o apelo, a inquietação. A intensidade é um flúmen assíduo, o fogo.
Rebenta-me a viagem, luze o dia e os abandonos descerrados, a aldeia, Fortios, à sombra da cal que em pulcritude no mês de Junho regressa para alamar as paredes.


Acendo o cigarro, rizomaticamente.

A abstração contínua, a fenda entre origens. Há um eixo penitente, e no silêncio transparece o tumulto, onde nascem os caminhos, onde nasce a minha fome permanente e jamais saciada, o horizonte que no Alentejo é tão famélicos como os meus anseios. Largos.

O cheiro silvo, as visões, onde incertos ressurgem os confins. Ao compasso das pernas robustas, é ela, a liberdade. O grito nórico da terra. A papoila. Que desabrocha, incendiando-me, em aberto desencadeando toda uma dileção avassaladora, mais devasta que o fulgor do sol quando grassa.

As papoilas escancaram-se e pouco a pouco o que escrevo escancara-se, por minha vontade. A excitação, o sangue vorás e capitoso dinamitando a palavra e a resplandecência e sobre elas ruge. E da lua ao céu. Um escarlate durativo e inumerável…




Luísa Demétrio Raposo





*excerto retirado do Livro das Papoilas, a editar.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Faz-me tremenda confusão o facto de a grande maioria das pessoas ter vergonha e algum pudor quando se fala de sexo, agem com mentalidade infantil, completamente. Eu não entendo como é possível e pergunto-me, o que é isto?
Têm pudor em falar da vulva do pénis, do pénis dentro da vulva, da boca que engole o pénis… existe pudor em falar do foder, há risos e sobretudo muita fome sexual escondida, a grande maioria não faz sexo verdadeiramente, expõe os órgãos um ao outro mas poucos a exploram verdadeiramente, e na rua não se fala; dá-se nomes totalmente ridículos aos órgãos sexuais, como pipi e pilinha, uma certa vez eu fui apresentada como uma pessoa que escrevia sobre pipis. Eu fiquei chocada.
Mas o que me choca ainda mais é o facto de não existir pudor em se falar em violência, em guerra, na miséria, na hipocrisia, que eu acho totalmente pornográfica.
Acho repugnante o facto de a grande maioria das pessoas à hora da refeição assistirem tv e aos respetivos noticiários e vão comendo a violência juntamente com a comida que engolem e assim a violência entra dentro do ser e torna-se comum, desbanaliza-se, afinal não é connosco, são os outros os que aparecem na tv e esquecem que todos estamos interligados, que o que acontece ao outro está relacionado diretamente connosco.
Comer é um acto sexual, o acto de comer é um ritual todo ele ligado ao sagrado, existem tribos que comem e praticam o acto sexual em simultâneo, e esses povos têm tanto para nos ensinar em termos de sociedade. Violência e alimentação jamais devem coincidir juntos, é antinatural. No entanto a grande maioria das pessoas o faz e sem nenhum pudor, sem questionar, e isto pessoalmente é para mim inconcebível de entender.
Pornografia é a fome que os povos causam uns aos outros, a escravidão, a castração, a guerra e a violência que se engole e que se permite, pornografia é a mentira e a hipocrisia. Pornografia é a desumanização, é a monstruosidade praticada pela sociedade consumista, pornográfico é o desrespeito pelo outro e e pela sua liberdade, pornográfico é o tráfico de seres humanos e a escravização do trabalho humano, praticado a olhos nus na nossa sociedade, pornografia é pensarmos que somos superiores aos outros só porque exibimos um canudo ou existe uma conta no banco em nosso nome recheada de dinheiro, pornográfico é o próprio dinheiro, pornográfico, pornográfico!
A Sexualidade é Divina, é uma religiosidade, é vida, é o que liga os deuses uns aos outros, é o que nos liga diretamente à Matriz. É a ligação direta ao Universo e à energia. O sexo é a única religião que existe, todas as outras e com o devido respeito não passam de políticas.
Sobretudo o que me choca ainda mais, o que considero sobretudo pornográfico e nojento é seres que se dizem ligados à arte, artistas que não o são, porque a alma artística sabe que na arte seja qual for não “existe” sem a ligação direta ao sexo; tudo é sexual na arte e na sua forma de expressão, tudo no mundo é sexual, nada existe fora do sexo.
Mas nesses pseudoartistas o que me choca profundamente é o seu pudor-castrador e a perseguição moral que praticam em relação aos artistas que falam e exercem o seu divino, acho abominável e só revela uma total e profunda ignorância não só em relação à arte mas em relação à vida no seu todo, uma falta de tudo, sobretudo revelam uma carência muito grande, falta-lhes o foder.

Luísa Demétrio Raposo
4 de Julho 2015
* pensamento do dia
Na insubordinação dos meus dias, estou só e exilada do meu sentir, só.
Só e obtusa, na violência emaranhada, o juízo dúbio, a destilação escarlate. O silêncio o monologo esconderijo onde os meus partos anárquicos suturam triângulos e saltos em atmosferas estuantes.
Estancada. Desarticulada. Mortiça, a cor confusa que plaina a gravitação.
Grito, encarniçando o sangue irresoluto. O desespero, a massa do silêncio, o ar que reúne alcateias na tentativa de libertar a tempestade...
.
Escuto-me em circunvalação. A voz tecla… o hálito vertical.
A profundidade corta à boca a respiração.
Estátua de sal.
Estarei morta e não dei por isso?





Luísa Demétrio Raposo
a escrita o grande frenesim o gérmen impulso
a vulva onde o assombro é a única poça de água
o êxtase onde são visíveis os lábios secretos do poema



ldr

terça-feira, 7 de julho de 2015

**

A boca alarga-se, voraz, quando acariciada em carne mutua. E arde em fúria entre o domínio das interrogações que correspondem ao escancarar. A curva ofegante. A ambição de posse orla a tempestade que o cio intérmino semeia. Na respiração. O sangue em bosque a emergir, impresso e rumorejante, liga haste à seiva, inclinando o sexo faminto ao lumaréu, e do quase nada se despe quase tudo...


Luísa Demétrio Raposo
*julho 2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

ao Jota, sempre...

Meus olhos se rasgam nus em ti.
Nu plácido destas páginas, o teu olhar é um
incêndio que procura arder nas minhas savanas!...


Luísa Demétrio Raposo

*do meu livro Nymphea

Da cópula



O caralho é a caligrafia que na página vincula os enliços
abstratos do sexo-escritor.

Apalpam-se os testículos e um caralho imenso atravessa as...
paredes para penetrar buracos atulhados de teias e os cardumes
de bocas que fodem malevolamente todos os pentelhos negros
que se distendem por um sexo teso.


É o cavalo refluxo que fulgura descentrado os quadris
amontoados do corpo, repulsando felpos dispostos de entre as
abóbadas do caralho que procria aleivosamente as gerações
futuras de humanoides de entre o dilúvio do sémen.


A minha vertigem, a enzima, o casco, a liana, onde as gigantes
limalhas antípodas arrancam os nós radiosos de todos os porquês.


O circular, anárquico, que pulsa e repulsa de entre os sexos que
afloram expansivos de entre os coitos.


No livro onde o corpo se esconde desterrando as escarpas do
medo, da fúria, do prazer, irregular que revela o medo. O cerco,
do falo, na existência, do encontrar, na hibernação, o pousio, dos
flávios destruídos nos minutos, no tempo que atravessa o ar e
retoma a imagem.


Sob cópula: o rugido, o ensaio, o fascículo, o escaparate, a
brochura interminável da escrita que estou prestes a atolar
descontinuamente nas pegadas do texto nómada, que segue
viagem pelas palacianas palavras onde imperiosamente se

constrói a minha intimidade.


**do meu livro Vermelho Al Mojanda

terça-feira, 30 de junho de 2015

O pretexto na carne que está entre sequências húmidas. Na moita, defecar perturba. Um poema aceso, simples iodo que no sexo desaperta o sangue. O esfíncter a larga e desintegra-se à sombra soerga. A pauta escarlate o veio que se refalsa de entre a intensa merda que sai tateando tudo num abuso ânuo.
É a rebeldia exposta à assimetria.


Luísa Demétrio Raposo
Reduzir o que eu escrevo somente ao erótico é muito redutor. Eu escrevo o orgânico. Toda a minha escrita é inteiramente orgânica.



ldr

domingo, 28 de junho de 2015

Coitada

Coito ardor, abismo, onde se cruzam os órgãos. Se desenrola,
rola, onde o fogo nunca derrama o leite.
És tu a alucinação na minha memória. O nosso epicentro.
Quilha no sentir. Que viva e quente, nos penetra o ser. Nos
come no vir. Potência infernal, na orla do nosso prazer. A cada...

pancada nossa uma vertigem se retira do teu astro cheio.
Almíscar. A argila táctil. E fica assim ateando a minha escrita
só pelo silêncio nu cercada. Põe a mão na noite e fica, não
porque o desejamos, mas porque Deus deu às partes sexuais
delírios e furos naturais. Húmidos. Orvalhados. Janelas de
força onde circula o odor de leite. Janelas opulentas, onde o
pau arde na flora, e onde a flora irrompe a haste desordenada.
Num poema...
Poesia é isto, um coito entre palavras, que se devoram entre
vozes, fôlegos e orifícios, superlativos uns aos outros e uns nos
outros...



Luísa Demétrio Raposo
in Respiração das Coisas/2010